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24/08/2025

Microquimerismo materno-fetal


"Durante a gravidez, as células do bebê migram para a corrente sanguínea da mãe e depois retornam para o bebê.

Isso é chamado de "microquimerismo materno-fetal".

Durante 41 semanas, as células circulam e se fundem para frente e para trás e, após o nascimento do bebê, muitas dessas células permanecem no corpo da mãe, deixando uma marca permanente nos tecidos, ossos, cérebro e pele da mãe, muitas vezes permanecendo lá por décadas. Cada filho que uma mãe tiver posteriormente deixará uma marca semelhante em seu corpo.
Mesmo que a gravidez não chegue a termo ou se você fizer um aborto, essas células ainda migram para a corrente sanguínea.
Pesquisas mostraram que, se o coração da mãe for lesionado, as células fetais correm para o local da lesão e se transformam em diferentes tipos de células especializadas em reparar o coração.
O bebê ajuda a reparar a mãe, enquanto a mãe constrói o bebê.
É por isso que certas doenças geralmente desaparecem durante a gravidez.
É incrível como o corpo da mãe protege o bebê a todo custo, e o bebê protege e reconstrói a mãe – para que o bebê possa se desenvolver com segurança e sobreviver.
Pense em desejos insanos por um momento. O que faltava na mãe para que o bebê a fizesse desejar?
Estudos também mostraram células de um feto no cérebro da mãe 18 anos após o parto.
Se você é mãe, sabe como pode sentir intuitivamente seu filho, mesmo quando ele não está lá...

Bem, agora há provas científicas de que as mães os carregam por anos e anos, mesmo depois de terem dado à luz."

(Autoria desconhecida)


O microquimerismo materno-fetal é um fenômeno fascinante e relativamente recente no campo da biologia e da medicina, envolvendo a troca de células entre mãe e filho durante a gestação.

Impactos potenciais
  • Funções protetoras e regenerativas: Células fetais podem atuar como células-tronco, auxiliando na regeneração tecidual materna. Há hipóteses de que isso contribua para a recuperação de lesões ou fortalecimento de órgãos.
  • Imunidade: O microquimerismo pode influenciar a tolerância imunológica (mãe e filho se reconhecendo). Há relação com menor rejeição em transplantes entre parentes.
  • Doenças autoimunes Alguns estudos sugerem ligação entre microquimerismo e autoimunidade (ex.: esclerodermia, lúpus, tireoidite de Hashimoto). A presença dessas células “estranhas” poderia desencadear reações imunes contra tecidos próprios.
  • Câncer Existem hipóteses de que células microquiméricas possam tanto proteger contra tumores (atuando no reparo) quanto facilitar seu desenvolvimento, dependendo do contexto.
Resumindo:
O microquimerismo materno-fetal é a presença de células do bebê na mãe e da mãe no bebê, que podem persistir por décadas. Ele parece ter tanto funções protetoras/regenerativas quanto potencial de contribuir para doenças autoimunes, e está na fronteira de pesquisas sobre imunologia, regeneração e vínculos biológicos.

06/08/2025

Alma - Seele - Soul



De uma forma parecida, usando ou não esse termo, vivenciamos nas constelações a alma numa perspectiva sistêmica.

Podemos chamar de alma a força invisível que congrega num todo as experiências parciais, de forma que o todo é mais do que a soma de suas partes e de suas funções.

Ela não se identifica com nossa consciência, pois também inclui o inconsciente.

Não se identifica com os processos fisiológicos e físicos em nosso corpo e em nosso cérebro, por mais que esteja indissoluvelmente ligada a eles.

Não se identifica com o nosso sentimento, embora ele seja a sua forma de expressão sensível.

Ela não é o “núcleo” ou a “substância” de um todo; é, antes, um espaço que envolve uma totalidade viva é um “campo” que, abrangendo espaço e tempo, une e confere identidade a tudo o que constitui uma pessoa ou um grupo.

Alma Individual

Nessa perspectiva, poderíamos falar de uma alma individual como aquilo que faz de alguém essa determinada pessoa e congrega tudo o que lhe pertence: seu corpo, seu cérebro, seu espírito, seu pensamento, seu sentimento e sua ação, suas vivências, sua história – tudo o que fundamenta suas afirmações como um “eu”.

Alma Familiar

Contudo, podemos também falar de uma “alma familiar” – e é principalmente nela que se movem as constelações – como algo que, abrangendo espaço e tempo, faz de uma família esta determinada família, com suas respectivas pessoas, eventos, vivências, lembranças, decisões etc.

Alma Universal

De uma forma análoga, podemos falar da alma de uma linhagem ou de um clã, da alma de uma fábrica, da alma de um país ou de uma comunidade linguística.

Em todas as relações que constituem nossa vida, desde o eu, tu, ele, você, isso, nós, vós, eles, até nossa relação com a natureza ou com o cosmos em sua totalidade (o isso, em sua acepção mais ampla), estamos ligados, de diferentes maneiras, a “campos anímicos”.

Essa ligação, em sua grandeza e em sua totalidade, é o que Bert Hellinger denomina a grande alma.

Não é religião

Com isso ele não entende algo místico ou sobrenatural, mas a totalidade da existência individual, coletiva e cósmica, que nos aparece de forma incompreensível e cada vez mais misteriosa, à medida em que aumenta o nosso saber.

É ela que nos vivifica, sustenta, une e talvez mesmo dirige.

Alma como saber

Na alma, entendida dessa maneira, atua um saber que nos obriga – uma “consciência” – que nos proporciona, para além das informações conscientemente transmitidas e interpretadas, uma participação ciente – ou um conhecimento participante — em tudo aquilo a que somos vinculados.
Albrecht Mahr fala, nesse contexto, de um “campo ciente”.

Jakob Schneider

04/08/2025

Nenhum homem é uma ilha!


O poder oculto da diversidade de perspectivas: por que todos nós vivemos em nossas próprias ilhas

Você já se perguntou por que algumas reuniões parecem conversas em idiomas diferentes, embora todos usem as mesmas palavras? A resposta está em um fenômeno fascinante que observo diariamente em minha prática de consultoria.
Todos nós vivemos em nossas próprias ilhas de percepção. Essas ilhas – uma metáfora brilhante de Vera F. Birkenbihl – são moldadas por nosso passado, nossas crenças e nossas influências culturais. Sua ilha pode ser caracterizada por palmeiras e areia quente, enquanto a de seu colega pode ser mais parecida com arame farpado, vento e cactos selvagens.
O que acontece nas empresas? Em vez de construir pontes, muitos se isolam: “Este é o mundo – como eu o vejo. Ponto final.” Essa atitude custa às organizações um potencial inimaginável todos os dias.
Na semana passada, trabalhei com uma equipe de liderança que estava presa em um projeto há meses. Após apenas duas horas de visualização constelação sistêmica: „O que você vê, que os outros não conseguem ver?” Essa pergunta abriu espaço para um diálogo genuíno.
O que eu sempre observo é que, quando as pessoas percebem o que antes não viam, elas de repente sabem qual é o próximo passo que as levará ao sucesso. A conscientização é a chave.
A visualização sistêmica torna visível em pouco tempo o que está oculto. Ela permite, com pouco tempo e custo, reconhecer o que nos bloqueia inconscientemente.
O que você pode fazer? Comece com perguntas. As perguntas constroem pontes entre as ilhas. Perguntas como:
- “Como você vê essa situação?”
- “O que eu poderia ter deixado passar?”
- “O que alguém com uma formação completamente diferente veria aqui?”
A arte não está em convencer os outros da nossa ilha, mas em construir pontes que nos conectam.
Como é a sua ilha de percepção? E que pontes você poderia construir hoje?

Reflexão de Cornélia Bonenkamp

29/05/2025

Eu defronte a mim...




 "O passo decisivo para o crescimento é quando alguém de repente se encontra diante de sua impotência, olho no olho, e assume: aqui sou pequeno." 

Bert Hellinger

26/05/2025

A maioria dos brasileiros são miscigenados.

Tarcila do Amaral - Operários

Uma pesquisa recente e abrangente, analisando o DNA de uma amostra representativa da população brasileira, revelou que a maioria dos brasileiros possui uma mistura de ancestralidades, com uma média de 58,9% de genes europeus, 27% africanos e 13% indígenas.

Explicação Detalhada:

Misticização:
O Brasil é conhecido pela sua longa história de miscigenação, com a mistura de indígenas, europeus (principalmente portugueses) e africanos, e posteriormente, de asiáticos.

Estudos Genéticos:
Estudos genéticos recentes confirmam a miscigenação como um traço marcante da população brasileira, com a revelação de que a maioria dos brasileiros possui um DNA misto, resultante dessa história de interações e movimentos populacionais.

Ancestralidade:
A pesquisa do DNA do Brasil mostra que a ancestralidade média da população brasileira é de 58,9% de genes europeus, 27% africanos, 13% indígenas, e uma pequena parcela asiática.
Variabilidade:

Apesar da miscigenação, a população brasileira também apresenta uma grande diversidade genética, com variações nas proporções das ancestralidades dependendo da região do país e da história familiar.

Em resumo, a miscigenação é uma característica marcante da identidade brasileira, e estudos genéticos recentes confirmam essa realidade, demonstrando que a maioria dos brasileiros possui um DNA misto, refletindo a história de encontro e interações entre diferentes grupos étnicos e culturais.

28/04/2025

Perspectiva

 




"Todo ponto de vista é a vista de um ponto. 

Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é a sua visão do mundo" 

Leonardo Boff 



Na infinidade de pontos de vista, cada um revela uma faceta única da verdade, mostrando que nossa perspectiva é tanto uma janela para o mundo quanto um reflexo do nosso próprio ser.




  • Pensar (passado):O que em minha história moldou a forma como vejo o mundo hoje?
  • Sentir (presente): Como meus sentimentos atuais influenciam minha percepção e compreensão dos eventos ao meu redor?
  • Agir (futuro): De que maneira minhas ações futuras podem transformar ou expandir minha visão de mundo?





09/04/2025

Relacionamento de casal e intimidade

 Podemos construir relacionamentos mais profundos e significativos, onde a intimidade floresce em todas as suas formas.




A intimidade intelectual envolve compartilhar ideias, estimular a mente do parceiro e desafiar-se mutuamente. É sobre aprender, crescer e explorar juntos. Investir nessa intimidade requer curiosidade, abertura e respeito pelas perspectivas e opiniões do outro.
A intimidade emocional é o alicerce do relacionamento. Envolve compartilhar emoções, vulnerabilidades e apoio mútuo. É a capacidade de compreender e ser compreendido, de estar presente nas alegrias e nos desafios. Para cultivar essa intimidade, é necessário tempo, paciência e a disposição de se abrir emocionalmente.
O toque físico é uma linguagem poderosa de amor e conexão. Abraços, beijos, carícias e outras formas de contato físico transmitem afeto, paixão e proximidade. Essa intimidade física traz prazer, satisfação e fortalece a ligação entre o casal. No entanto, é necessário esforço para manter essa chama acesa, reservando momentos especiais para se tocarem, explorarem e descobrirem novas formas de conexão física.
A intimidade espiritual é sobre compartilhar crenças, valores e práticas espirituais. É encontrar significado e propósito juntos, buscando um caminho espiritual em comum. Nesse aspecto, é importante criar espaço para a expressão espiritual de cada um, apoiar o crescimento e as jornadas individuais e encontrar formas de se conectarem em um nível mais profundo, além do mundo material.
A intimidade de cuidado envolve apoiar e nutrir o bem-estar físico, emocional e mental do parceiro. É estar presente nos momentos difíceis, oferecer suporte emocional e incentivar o crescimento pessoal. Requer atenção, empatia e disposição para cuidar um do outro de maneira significativa.
Todos os tipos de intimidade exigem esforço e atenção contínuos. É um investimento mútuo que enriquece e fortalece o relacionamento. Ao dedicar tempo e energia a cada aspecto, vocês constroem uma base sólida para um amor duradouro e gratificante.
Quais dessas intimidades você mais valoriza em seu relacionamento?

Reflexão do psicoterapeuta Thiago Sian

17/03/2025

Reflexão: A filha mais nova




Desde os primeiros passos, a filha mais nova carrega nos ombros um peso invisível, um chamado que nem sempre compreende. Muitos dizem que ela é a mimada, a protegida, aquela que chegou para alegrar a casa. Mas poucos percebem que sua missão vai muito além de ocupar o último lugar na linhagem familiar. O destino da filha mais nova não é um acaso—é um carma ancestral.
Ela renasce como a última peça de um quebra-cabeça espiritual, a guardiã dos sentimentos não resolvidos da família. Sua chegada marca o encerramento de ciclos, a cura das feridas que atravessaram gerações. Mesmo sem entender, ela sente. Sente o peso dos segredos, a dor das histórias que nunca foram contadas, os padrões repetidos que ela, sozinha, terá que quebrar.
Enquanto a filha mais velha muitas vezes nasce com a missão de sustentar a família, de carregar o fardo da responsabilidade e de ser o pilar de força, a filha mais nova tem o papel de libertação. A mais velha estrutura, a mais nova desconstrói. A mais velha aprende cedo a cuidar dos outros, a ser forte, a liderar, enquanto a mais nova aprende a questionar, a se afastar do que não serve mais, a abrir espaço para um novo caminho.
A filha mais nova nasce para romper amarras. Por isso, muitas vezes se sente diferente, deslocada, incompreendida. Ela pode carregar um espírito livre, um impulso para desafiar regras, uma vontade incontrolável de mudar padrões que pareciam imutáveis. Seu espírito não veio para seguir o caminho já traçado—veio para criar um novo.
Mas essa missão tem seu preço. Laços emocionais intensos, sensação de inadequação, necessidade de provar seu valor. Muitas vezes, ela sente que precisa lutar para ser ouvida, para ser compreendida, para se libertar dos papéis impostos a ela. Se a filha mais velha carrega o peso da tradição, a mais nova enfrenta o peso da mudança. E mudança nem sempre é aceita de forma pacífica.
A filha mais nova não é um detalhe no final da história, ela é o ponto final e o recomeço. Seu destino não é carregar os fardos do passado, mas transformá-los em aprendizado. Ela pode ser a última a chegar, mas é a primeira a quebrar correntes. Seu espírito não veio apenas para fechar um ciclo, mas para abrir novas portas, não apenas para si mesma, mas para todas as gerações que vieram antes.

Autoria desconhecida



Para aprofundar - Irmãos: A ordem de nascimento -  


30/10/2024

Árvore Genealógica

 


"Na verdade quase seria possível estabelecer a tese de que os verdadeiros geradores das crianças não são seus pais, mas muito mais seus avós e bisavós, enfim toda a sua árvore genealógica. É essa ascendência genealógica que determina a individualidade da criança de maneira mais eficiente do que propriamente os pais imediatos, que o são de modo quase que fortuito. Por isso também a verdadeira individualidade psíquica da criança é algo de novo em relação aos pais, e não pode ser deduzida da psique deles. Ela é uma combinação de fatores coletivos, os quais na psique dos pais se encontram apenas potencialmente presentes, e em geral nem são observáveis. Não apenas o corpo da criança, mas também sua alma, provêm da série dos antepassados, no sentido de que ela pode ser distinguida individualmente da alma coletiva da humanidade."

Carl Gustav Jung
No livro: "O desenvolvimento da personalidade"

23/10/2024

Perspectivas e realidades


O ponto de vista é a vista de um ponto...
Como nos ensinava Anton de Kroon na Constelação Organizacional: "Sem julgamento ou intenção, escuto e observo a história e os contextos do cliente"



16/10/2024

Relacionamento ou construções de casal...


 Esta imagem representa bem o que é uma relação de casal...construção!

Sintonia e dissintonia...

Desentendimentos para talvez chegar a entendimentos...

Entendimentos no lugar de brigas...

Revisão e ressignificação...contratos e recontratação...

Debates, discussão para chegar a compreensão de si e do outro

Pontos de vista e perspectivas diferentes, mas por vezes complementares, outras incompatíveis ou ampliadores e transformadores...

Renúncias no lugar de anulação

Mudar...mudanças ....

Diferenciação e consciência!


Abordo a temática no artigo: Quer dançar? Reflexão sobre relacionamentos de casal em tempos de crise (in) Construindo relacionamentos saudáveis. Editora Conquista, 2024



25/09/2024

Demian - Hermann Hesse




“Mas cada homem não é apenas ele mesmo; é também um ponto único, singularíssimo, sempre importante e peculiar, no qual os fenômenos do mundo se cruzam daquela forma uma só vez e nunca mais. Assim, a história de cada homem é essencial, eterna e divina, e cada homem, ao viver em alguma parte e cumprir os ditames da Natureza, é algo maravilhoso e digno de toda a atenção.”


“Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca, mas já agora não busco mais nas estrelas e nos livros. Começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim.”


Hermann Hesse, ‘epígrafe’ do livro “Demian”

14/08/2024

O que acontece depois de uma Constelação Familiar?


¿Que pasa después de una Constelación Familiar?

Las Constelaciones Familiares actúan, cuando uno las deja exactamente de la manera en que las vio. Es una imagen espacial y atemporal, de las profundidades y tiene su fuerza cuando uno lo deja tal cual. Cualquier discusión sobre su contenido destruye la imagen.

Lo mismo se aplica cuando uno acaba de trabajar, alguno del grupo se le acerca después a preguntarle: ¿cómo te ha ido?, ¿qué harás ahora? Lo que están haciendo es picotear su alma. Es fatal, invadir de esta manera el alma de otra persona como si tuviéramos el derecho de hacerlo. Ninguna persona tiene el derecho de hacerlo. Tampoco sirve intentar consolarlo. La persona es fuerte. Quien intenta consolar, es débil. Este es en realidad quien no soporta el dolor del otro. Porque en el fondo no quiere consolar al otro, sino que utiliza al otro para consolarse a si mismo.

No hay que interferir. Y eso es válido para todo este trabajo.

La persona misma tampoco debe actuar inmediatamente. Así no funciona. La imagen tiene que descansar en su alma. A veces durante mucho tiempo, quizás medio año o más. Y uno no hace nada para cambiar. Las imágenes ya actúan, simplemente estando. Y al cabo de un tiempo en el alma se reúne la fuerza necesaria para hacer lo correcto. Aquello que es correcto y bueno será diferente de lo que uno ahora acaba de ver. El alma de la persona sabe mucho más todavía y al final uno sigue a su propia alma y así tiene la plena fuerza.

Por tanto no sigue ni al facilitador ni tampoco a esta imagen. Uno sigue a su alma. Pero esta imagen ha impulsado algo en su alma que posteriormente hace posible el actuar.

Así hay que manejar estas imágenes.


Compartilhado da pagina de facebook Bert Hellinger en Español 

12/08/2024

Carta de Bert Hellinger ao Pai



Livro: “As Igrejas e o Seu Deus”

Dedico este livro a meu pai Albert Hellinger (1895-1967), com uma carta:


"Querido papai, 

Por muito tempo eu não soube o que me faltava mais intimamente, muito intimamente. Por muito tempo você, meu querido papai, foi expulso de meu coração. 

Por muito tempo você foi um companheiro de caminho para quem eu não olhava porque fixava meu olhar em algo maior, como eu imaginava.

De repente, você voltou a mim, como de muito longe, porque minha mulher Sophie o invocou. Ela viu você, e você me falou por meio dela.

Quando penso o quanto me coloquei muitas vezes maior do que você, quanto medo também eu tinha de você porque muitas vezes você me batia e me causava dores, e quão longe eu o expulsei de meu coração e tive de expulsá-lo, porque minha mãe se colocava entre nós; somente agora percebo como fiquei vazio e solitário, e como eu estava separado da vida plena.

Porém, agora você voltou, de muito longe, para minha vida, de modo amoroso e com distanciamento, sem interferir em minha vida. Agora começo a entender que foi por você que, dia a dia, nossa sobrevivência era assegurada sem que percebêssemos em nosso íntimo quanto amor você derramava sobre nós sempre igual, sempre visando o nosso bem-estar e, não obstante, excluído de nossos corações. 

Será que em algum momento lhe dissemos como você foi um pai fantástico para nós?

Você teve um oceano de solidão a sua volta e, ainda assim, permaneceu solicíto e amoroso a serviço de nossa vida e de nosso futuro. Nós tomávamos isso como algo natural, sem jamais honrar o que isso exigia de você.

Agora me vêm lágrimas, querido papai. Eu me inclino diante de sua grandeza e tomo você em meu coração. Tanto tempo você esteve excluído do meu coração. Tão vazio ele estava sem você.

Também agora você permanece amigavelmente a uma certa distância de mim, sem esperar de mim algo que tire algo de sua grandeza e dignidade. Você permanece o grande como meu pai, e tomo você e tudo que recebi de você, como seu filho querido.

Querido papai,

Seu Toni (assim eu era chamado em casa).”



Vídeo Carta ao Pai feito pela Hellinger Schule Brasil







05/08/2024

Quem pilota seu avião?

 Drauzio Varela contou na série "Um Beijo do Gordo" sobre os últimos momentos de vida do Jô Soares.

"Eu gostaria muito de terminar os meus dias como ele terminou os dele. Ele chamou a gente, as pessoas mais íntimas, e disse:
'Eu vivi 84 anos. Vivi muito bem, fiz muitas coisas. Eu não quero viver a qualquer preço. O que eu queria mesmo agora era ir pra minha casa e morrer vendo os filmes antigos que eu gosto.'
“Olha que eu tenho experiência com doentes em fase terminal, fiz isso a vida inteira. Mas é difícil você ver alguém com essa tranquilidade. Com essa sabedoria de chegar num momento como esse e dizer: 'Deu, né? Não posso me queixar, fiz tudo que eu queria'.
Falei: 'Pô, Jô, você quer dirigir até a cena final?'.

Ele riu na hora e falou: 'Exatamente. Eu quero dirigir a cena final'"





26/06/2024

Os desafios de lidar com o envelhecimento dos pais

 


Uma dura fase marcada por conflitos e dificuldades. É assim que especialistas resumem a forma como o envelhecimento dos pais é encarado diversas vezes, porque muitos filhos não estão preparados para lidar com as exigências desse período.

À medida que a idade avança, uma pessoa tende a precisar de cada vez mais apoio, seja em atividades simples do dia a dia ou mesmo uma ajuda financeira - e isso pode cobrar um preço de quem fica responsável por esses cuidados, como apontam especialistas.

“Em alguns casos, esses filhos podem experimentar níveis significativos de estresse e sobrecarga ao lidar com as demandas do envelhecimento dos pais, especialmente quando há questões de saúde ou limitações funcionais”, diz a psicóloga Deusivania Falcão, professora de Psicogerontologia – área da psicologia que estuda o envelhecimento – da Universidade de São Paulo (USP).

Há, inclusive, um nome para definir esse senso de obrigação dos filhos em apoiar pais mais velhos: responsabilidade filial.

“É uma obrigação baseada em um padrão cultural, relacionado à percepção de que esse é um comportamento socialmente responsável em resposta ao envelhecimento e a dependência dos pais”, explica Falcão.

"Ou seja, de que é dever do filho adulto ajudar ou ser responsável pelos pais idosos."

Esse tipo de situação e a discussão sobre como encarar estes desafios são cada vez mais frequentes com aumento de idosos no Brasil.

O número de pessoas com mais de 60 anos passou de 20,5 milhões no Censo de 2010 para 32,1 milhões no mesmo levantamento em 2022 – um crescimento de 56% em pouco mais de uma década.

E as estimativas apontam que a população de idosos deve se tornar ainda maior ao longo das próximas décadas.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram a tendência de que o brasileiro deve viver cada vez mais: a expectativa de vida, que era de 69,8 anos no início dos anos 2000, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje é de 75,5 anos.

Isso não só aumenta o período em que uma pessoa pode precisar de auxílio, mas também torna mais comum que os filhos acompanhem diferentes fases do envelhecimento dos pais.

Um ponto importante nesse período é a forma como filhos encaram o envelhecimento dos pais - e, como em tantas outras fases da vida, não há uma cartilha universal a seguir.

Essa experiência, dizem especialistas, costuma ser influenciada por padrões familiares do passado e pela forma como uma pessoa foi criada, além de aspectos culturais, históricos, sociais e religiosos de uma família.

"Há vários modelos de envelhecimento e de velhice. Cada indivíduo envelhece de maneira diferenciada, na singularidade de suas condições genéticas, ambientais, familiares, sociais, educacionais, econômicas, históricas e culturais", diz Falcão.

“Isso tudo depende do tipo de sistema desenvolvido (pela família) ao longo dos anos.”

 


Pais teimosos x filhos mandões

Um dos principais desafios e motivos de atrito está nos papéis que pais e filhos assumem nessa fase da vida, apontam especialistas.

De um lado, os filhos podem enxergar uma pessoa fragilizada, adoecida e que precisa de cuidados e limitações e tentam proteger seus pais e fazer com que não se exponham a riscos.

Do outro, há uma pessoa que não quer perder sua autonomia e que pode até perceber que precisa de cuidados, mas tem dificuldade de aceitar isso, afirma a geriatra Fernanda Andrade.

“Na imensa maioria das vezes, há uma grande diferença entre a visão dos filhos e dos pais. Os filhos não costumam lidar bem com as escolhas dos pais nesse período", afirma Andrade.

Um dos comentários mais recorrentes que a médica ouve dos filhos é que seus pais são “teimosos” por não seguirem à risca como os filhos acreditam que eles devem agir.

"É angustiante assistir ao envelhecimento – e, muitas vezes, ao adoecimento – de uma pessoa que se ama e não conseguir controlar nada disso."

Mas, por trás dessa “teimosia”, apontam especialistas, estão características que podem ser atribuídas à idade avançada.

Entre elas, o sentimento de solidão, a perda de sentido da vida, a saudade de amigos ou parentes que já faleceram e o medo da morte.

Além disso, o temor de depender dos outros, ainda que sejam os próprios filhos, causa preocupação em muitos idosos e faz com que sejam resistentes a cuidados.

“Imagina passar 50 anos da sua vida totalmente independente e começar a precisar de alguém para ir ao mercado para você, te ajudar a vestir uma roupa ou realizar sua higiene íntima?”, diz Andrade.

Para não perder a autonomia, diz Fernanda, muitos idosos não querem parar de dirigir, não aceitam ir ao médico ou não querem abandonar outras atividades que costumavam fazer sozinhos.

Aí é que podem surgir conflitos na relação com os filhos, caso não haja uma comunicação aberta na família sobre as expectativas, desejos e necessidades dos dois lados, pontuam os especialistas.

Muitas vezes, é preciso entender que se trata de uma fase de constante adaptação às demandas que surgem com o passar dos anos.

Por isso, é fundamental perceber que as necessidades dos pais podem mudar ao longo do tempo.

Uma das principais dificuldades na relação entre pais e filhos nessa fase é causada por falhas de comunicação em razão do conflito geracional, diz Renato Veras, que é professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e diretor do projeto Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI).

“O ideal é que os pais conversem muito com os filhos e mostrem as diferenças geracionais", afirma o médico.

"Esse diálogo é importante, mas é difícil, porque muitos pais não conseguem puxar essa conversa e muitos filhos se consideram senhores da verdade, o que dificulta muito essa situação.”

 


Inversão de papéis?

Nos casos em que os idosos preservam sua autonomia, é importante que as decisões e escolhas dos pais sejam respeitadas pelos filhos, dizem os especialistas.

“Incentivar a tomada de decisões (dos pais) sempre que possível e respeitar suas escolhas contribui para uma relação mais positiva”, afirma Falcão.

A dificuldade em respeitar a autonomia dos pais pode ocorrer por estereótipos relacionados à velhice e pelo etarismo (ou idadismo), o preconceito com pessoas mais velhas.

Mas, enquanto muitos idosos conseguem permanecer independentes, outros precisam de auxílio constante.

Em diversos cenários, principalmente quando se fala em cuidados intensos, muitas mulheres acabam sobrecarregadas.

Um levantamento divulgado em 2023 pela Fundação Seade, um sistema de análise de dados, mostrou que 90% dos cuidadores de pessoas com demência em São Paulo são do sexo feminino.

O número ilustra uma realidade que pesquisadores sobre o envelhecimento apontam que ocorre em todo o país.

“Comumente, as filhas que assumem o cuidado de pais idosos com doença de Alzheimer, por exemplo, com a evolução da demência, percebem uma inversão hierárquica de papéis, em que elas passam a ter mais poder e controle em relação a eles, levando-as muitas vezes a terem a sensação de que passaram a ser mãe deles”, diz Falcão.

Mas a geriatra Fernanda Andrade diz que o envelhecimento, embora implique que pais e filhos assumirão novos papeis, não significa que estes papeis serão invertidos e que os pais passam a ser os filhos da relação.

“Os pais nunca se tornam filhos. Filhos estão aprendendo, filhos estão sendo preparados para a vida adulta e são uma tela em branco para os pais colorirem da forma que julgam melhor”, diz.

"Pessoas idosas são telas rabiscadas, cheias de experiências e valores prévios já muito bem estabelecidos."

Cuidar de um pai ou mãe idosa ou de um filho pequeno são situações bem diferentes, diz Andrade.

"Um pai com sequela de AVC ou uma mãe com Alzheimer não está no script da vida de ninguém. Isso vira a vida dos filhos de cabeça para baixo, afeta o trabalho e aumenta os custos familiares, sem planejamento algum”, pontua.

"Coletivamente falando, são poucas as pessoas compreensivas com os filhos cuidadores. Ai de você caso falte no emprego porque a sua mãe teve febre!”, acrescenta Andrade.

 


Envelhecimento saudável

De forma geral, é difícil prever quais serão exatamente os desafios enfrentados nesta fase da vida.

"A realidade do envelhecimento no Brasil é bem heterogênea", diz a geriatra Fernanda Andrade.

"Envelhecer bem não é só uma questão genética, mas também ambiental e está relacionada ao acesso a melhores cuidados de saúde.”

Os especialistas defendem que pessoas idosas não devem ser vistas como alguém que está necessariamente doente ou que está perto de morrer.

Possíveis problemas de saúde física ou mental, fragilidade e diminuição da capacidade funcional não devem ser um impedimento para uma velhice confortável, dentro do possível que a saúde permitir.

Em qualquer cenário, que varia conforme os cuidados que os pais precisarem, é importante que os filhos sempre tentem ser uma forma de apoio.

Antigamente a pessoa envelhecia, adoecia e morria. Ser velho era quase uma sentença de dependência física ou cognitiva”, pontua Andrade.

"Hoje, temos uma gama enorme de pessoas envelhecendo e bem. Ativas, trabalhando, saudáveis. Mas isso ainda é recente. Leva-se tempo para mudar uma cultura.”

Cada situação e condição de saúde dos pais vai exigir um tipo de apoio diferente.

Uma das principais formas com que filhos podem apoiar seus pais nesse período, segundo especialistas, é incentivar que uma pessoa idosa cuide das doenças crônicas que surgem nessa idade para que tenham boa qualidade de vida.

Ao mesmo tempo, é importante que os filhos incentivem os pais a se exercitarem fisicamente e mentalmente – por meio de leituras e diferentes tipos de aprendizados, como o de um novo idioma.

“É importante reconhecer e apoiar o bem-estar emocional dos pais. Isso envolve estar atento a sinais de depressão, solidão ou ansiedade, e buscar ajuda profissional quando necessário”, diz Falcão.

Os benefícios de se planejar e de ter uma relação próxima

Uma forma de tornar esse período da vida mais suave é se planejar para o envelhecimento, apontam as especialistas ouvidas pela reportagem.

“Aqueles filhos que participam de discussões sobre planejamento antecipado, como cuidados de saúde e decisões financeiras, tendem a lidar de maneira mais eficaz com o envelhecimento dos pais”, afirma Falcão.

Mas esse planejamento, dizem as especialistas, ainda é pouco debatido nas famílias, que acabam enfrentando cada problema conforme eles vão surgindo.

“A educação para o envelhecimento é vital, pois nos capacita a enfrentar as transições com compreensão e empatia, o que favorece a qualidade de vida e a autonomia”, declara Falcão.

Ao mesmo tempo, nem tudo é dificuldade quando se fala em acompanhar o envelhecimento dos pais. Há benefícios ao tentar estar perto deles durante esse período.

“Conviver com os pais mais velhos e cuidar deles permite que a gente reveja laços e acerte pendências”, diz Andrade.

“Encarar o declínio e a finitude da vida de alguém também nos faz refletir sobre a nossa própria vida, valores e sobre como queremos ser cuidados na nossa velhice.”

O bom relacionamento com os filhos costuma ser fundamental para que os pais encarem os momentos mais difíceis do envelhecimento. Isso também pode ajudar os próprios filhos.

“A dinâmica familiar positiva, com expressões de afeto e envolvimento do idoso nas atividades familiares, contribui para melhorar o relacionamento entre pais e filhos”, afirma Falcão.

Pesquisas sugerem que os vínculos positivos com os pais idosos são também uma fonte de apoio para os filhos cuidadores, acrescenta a especialista.

“É importante destacar que, embora os desafios sejam comuns, o envelhecimento também pode trazer oportunidades de crescimento pessoal, novos aprendizados e formas de se envolver com a vida", diz Falcão.

"Adotar uma abordagem positiva e proativa para enfrentar esses desafios pode contribuir para um envelhecimento mais saudável e satisfatório.”

 

Fonte: BBC News Brasil de 24 fevereiro 2024