Pesquisar neste blog

Mostrando postagens com marcador Conceitos Teóricos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Conceitos Teóricos. Mostrar todas as postagens

20/05/2023

Movimento Interrompido - Neurose de repetição

 


Movimento interrompido – Sentimento de rejeição – Neurose de repetição

"Gostaria de explicar algo aqui para vocês: um dos traumas mais comuns na primeira infância é o movimento de amor interrompido estendendo a mão ao pai ou a mãe. Sendo mais comum o movimento interrompido em direção a mãe. Comumente essa experiência traumática faz com que a pessoa se desligue da vida, pois resulta em desespero, raiva ou tristeza. Mais tarde, quando a pessoa quiser se aproximar de outra, o corpo se lembra da interrupção e interrompe o movimento. Essas pessoas não conseguem avançar com amor, então se movem em um círculo e, quando chegam ao ponto em que sentem a interrupção novamente, dão as costas e voltam ao mesmo ponto todas as vezes. Isso é o que chamamos de neurose. É uma boa definição de neurose, esse movimento circular. Essa definição também nos mostra a solução, pois é nesse ponto que eles precisam intervir e seguir em frente. Mas isso não é possível, via de regra, a menos que você volte ao ponto em que ocorreu a interrupção original. A pessoa, como criança naquela época, precisa fazer o movimento original em direção à mãe. Não é possível fazer o movimento em direção à mãe atual, portanto, é uma espécie de deslocamento para trás no tempo" 

(Nota do tradutor: como se fosse uma regressão)

Exercício para o movimento interrompido

"Se houve um movimento interrompido, é muito fácil trabalhar com ele, como você pode ver. Ela estava imediatamente na cena. O terapeuta permite que ela o abrace, e ele então representa a mãe. Você coloca os braços nos ombros dela, demonstra e, muitas vezes, o movimento vai mais para trás, na verdade, para o nascimento. Uma pessoa pode reexperimentar o nascimento, como ela fez, mesmo em circunstâncias muito incomuns. Após o nascimento, o primeiro movimento é em direção à mãe, esse é o movimento básico. Às vezes, até mesmo esse movimento é interrompido, quando houve uma operação cesariana, por exemplo, ou qualquer que tenha sido a circunstância. No momento em que ela se aproxima do seio da mãe, acaricia seu cabelo, muito suavemente, ela se sente bem. Você pode ver aqui que ela está sorrindo, ela se sente bem"

Bert Hellinger

Rachel weeping for her children: Family Constellations in Israel. Carl Auer Systeme Verlag. Germany, 2003

Tradução livre do inglês por René Schubert

01/08/2022

Frases...bordões...padrões...cenas...o que contam os contos de fada?


As histórias por detrás da história...nosso lugar e consciência em relação ao relato que fazemos!

Como nos dizia Bert Hellinger...as histórias que nos comovem, nos movem (conduzem)...

Qual seu conto de fadas favorito?

Qual seu personagem favorito?

Quais seriados, desenhos, animes...que conversam contigo, profundamente?

Qual o seu script de vida?

O que contam os contos?

Quais dinâmicas ocultas por detrás dos contos?

Qual o destino...e qual o reconhecimento, consciência frente a tal?

De forma humorada e pontual as tirinhas a seguir tentam apontar para as dinâmicas e roteiros de vida por detrás das historias das princesas dos contos de fadas - deixe as mesmas tocar você e veja para onde lhe levam - em uma viagem interna...nos teus quartos internos - em suas sensações e reflexões...


Bela Adormecida



A Bela e a Fera



Branca de Neve



Cinderela


Gata Borralheira


Mulan


Jasmine

Elsa - Frozen







E se...as princesas da Disney conversassem com um psicanalista?

E se...elas contassem seu conto e se tornassem protagonistas de sua historia?




Referência: Tirinhas da Girafa Psicóloga elaboradas pela artista venezuelana Maria Guadarrama.

Para aprofundar esta reflexão sugiro os seguintes livro:
- A psicanalise dos contos de fada - Bruno Bettelheim 
- Ah! Que bom que eu sei! A visão sistêmica dos contos de fadas - Jakob Schneider e Brigitte Gross
- Jogos que as pessoas jogam - Eric Berne
A interpretação dos contos de fada - Marie-Louise von Franz
O lado sombrio dos contos de fada - Karin Hueck


28/07/2021

Criança Interior - O infantil que habita em todo(a)s nós


 

“Numa psicanálise, descobre-se que a vida adulta é sempre menos adulta do que parece: Ela é pilotada por restos e rastros da infância” 

Contardo Calliris

“Em todo adulto espreita uma criança... uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita cuidado, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa.” 

Carl Gustav Jung

“Os filhos só podem ser crianças quando os pais são adultos”  

Stephan Hausner




Certa vez em um seminário, o facilitador alemão Stephan Hausner apontou: O sintoma geralmente é da criança... O sofrimento geralmente é da criança...ou seja, o infantil em mim, o imaturo em mim, o delicado em mim, o ingênuo em mim.

Minha lealdade invisível...meu amor cego...minha dependência emocional...minha  prepotência e minha arrogância...




Para a psicanalise o Infantil é permanente...nos habita. Assim como também o adulto. 

Principio de Prazer X Principio de Realidade 

Criatividade/Espontaneidade X Dever/Obediência 

Tornamo-nos “maduros” a partir do momento em que adquirimos e passamos por experiências ...relacionamentos, vivências...percurso de vida.

Na Analise Transacional a Criança é um instancia que nos habita de diversas maneiras. Habita nosso intimo, nossa personalidade, e manifesta-se, vem a tona, em diferentes roupagens, comportamentos, dinâmicas. Falamos em Crianças Ferida, Criança Adaptada, Criança Livre, por exemplo.



Por meio do encontro com sua instancia infantil, com sua criança, muitas vezes, no espaço terapêutico o(a) cliente entra em contato também com as feridas, os traumas...e passa a tomar consciência, ressignificar e elaborar este(s) conteúdo(s).

Desta forma vemos os tratamentos terapêuticos, o encontro terapêutico, as abordagens de acompanhamento terapêutico, como espaços de segurança, auto percepção, auto conhecimento,  aceitação, conscientização, ressignificação e elaboração das dores psíquicas, feridas emocionais e padrões de auto sabotagem.

Vídeo: Ame a si mesmo(a)


Neste vídeo que mostra o trecho de um encontro terapêutico entre cliente e psicoterapeuta, vemos o psicoterapeuta utilizando técnicas como associação livre, manejo de crenças, interiorização, visualização, catarse, encontro com a criança interior, interpretação e leitura corporal/emocional, empoderamento e feedback. 

Realmente a frase: "Ame a si mesmo", dizer ela é simples. 
A transformação ocorre quando você encontra com o momento em que deixou de se amar e, a partir dai, começa a ressignificar sua vida. 
Começa a cuidar da criança ferida que há em você. 
Começa a fazer, corajosamente, um enfrentamento e releitura dos momentos traumáticos e difíceis de nossa vida...seja como criança, seja como adulto. 
Por vezes precisamos de auxilio daqueles em quem confiamos para nos conduzir por tal caminhada. Temos em nós mesmos, recursos, ferramentas, dos quais muitas vezes esquecemos. 
E tais podem adoecer, ou curar. 
Podemos transformar nossa própria vida, todos os dias, conduzindo-a e moldando-a, significando-a, assumindo a responsabilidade e consequenciais, dizendo SIM à vida...depende de nós.


Seguem algumas imagens, que tocam nesta temática, encontradas no Instagram, desenhadas e escritas pela artista: 
 Cátia Ana Baldoino da Silva - @quadrinhosinfinitos












10/03/2019

História de Sucesso: As Constelações Familiares - Bert Hellinger

Bert Hellinger

"Eu me deparei com as Constelações Familiares. Elas já existiam antes de mim. Thea Schönfelder me mostrou as Constelações Familiares pela primeira vez durante as semanas de psicoterapia de Lindau e me escolheu como representante do pai de um menino esquizofrênico. Inocente, deixei-me colocar, seguro e animado. De repente reposicionou o representante desse menino e eu cai num buraco profundo. Eu já não era eu mesmo. No final, depois da constelação, senti-me em outra paisagem, ampla e aprazível.

Thea Louise Schoenfelder

Mais tarde a encontrei novamente, outra vez nas semanas de psicoterapia de Lindau. De novo fiquei muito comovido por seu trabalho com as Constelações Familiares. Não podia entende-lo, ainda mais porque ela não dizia nada sobre o pano de fundo. Um ou dois anos mais tarde fui quatro semanas a um curso longo sobre terapia familiar em Snowmass, no alto das montanhas rochosas. Era dirigido por Ruth McClendon e Les Kadis. Também eles me mostraram algumas vezes as Constelações Familiares. De novo tive um papel de representante. Outra vez passei por altos e baixos. também não compreendi desta vez, nem eles puderam explicar o que acontecia.



Um ano depois, McClendon e Les Kadis vieram à Alemanha e ofereceram dois cursos de terapia plurifamiliar. Quer dizer que trataram ao mesmo tempo, durante cindo dias, cinco famílias, pais e filhos. Novamente, foi difícil para mim compreender os detalhes. Estava na vivência, mas ficava longe da compreensão. não obstante, o que eu compreendi foi que la estava o futuro. Depois de um ano o momento chegou. Ousei me dedicar a esta tarefa. Antes disso aconteceram algumas coisas que me facilitaram o acesso. Comecei a compreender aonde conduziam as Constelações Familiares.

Ao longo de muitos anos ofereci cursos sobre análise de roteiro (Script analysis), desenvolvido por Eric Berne, o fundador d Analise Transacional, descrevida em seu livro: "O que você diz depois de dizer olá?". Ele descobriu e descreveu através de muitos exemplos que vivemos nossa vida seguindo um plano secreto, segundo um roteiro que representamos quase literalmente no cenário da vida. De repente tive a compreensão pioneira de que este roteiro, que interpretamos em nossa vida, já fora representado previamente por outra pessoa de nossa família, que em grande medida o assumimos dela e que no fundo, o repetimos.

Eric Berne

Subitamente compreendi o que é um emaranhamento. Ficamos emaranhados no destino de outra pessoa e também compreendi o que nos leva a isto. Ficamos emaranhados no destino de pessoas que nossa família perdeu, pois as esqueceram ou porque foram excluídas. Imediatamente compreendi o que acontecia nas Constelações Familiares. Nelas vem à tona, através do representante, quem são estes excluídos e como podem ser levados novamente à família e a nosso coração para o alívio de muitos.

Ao mesmo tempo escrevendo uma conferencia sobre culpa e inocência nos sistemas, percebi claramente que há uma ordem de origem e, portanto, num sistema, o anterior tem precedência sobre o posterior. Aqui não preciso dizer mais nada. Lendo este livro, você pôde viver internamento como continuou a historia do sucesso e a que dimensões as Constelações Familiares levaram, para alivio e para uma nova confiança também para você."

Texto escrito por Bert Hellinger encontrado no Epílogo da obra "Historias de sucesso na empresa e no trabalho" ( Editora Atman, 2013) sob o título: Outra historia de sucesso: As Constelações Familiares.


24/09/2018

Movimento Interrompido em direção à mãe e/ou ao pai



Reflexões selecionadas acerca da temática: Movimento de amor interrompido em direção à mãe ou ao pai.



"Norbert Linz :O que se deve entender concretamente por "movimento interrompido"?

Bert Hellinger: Quando a criança quis ir em direção à mãe ou ao pai mas não pôde fazê-lo, por exemplo, porque estava no hospital ou numa incubadora como bebê prematuro, ou ainda porque o pai ou a mãe morreram cedo, então o amor se transforma em dor, que é o outro lado do amor. No fundo, é exatamente a mesma coisa. A dor é tão grande que a criança mais tarde nunca mais quer aproximar-se dela. Ao invés de ir ao encontro da mãe ou de outras pessoas, prefere manter-se distante delas. Em vez do amor, sente raiva ou desespero e a dor da perda. Quando o terapeuta sabe disso, pode prescindir desses sentimentos mais superficiais e visar diretamente o amor. Ele conduz o cliente até o ponto em que o movimento foi interrompido e o restabelece, no contexto de uma terapia primal ou de uma constelação familiar. Desta maneira, o movimento interrompido é reconduzido ao seu termo, advindo uma profunda paz. Então acaba muita coisa que resultara da mágoa primitiva, como medos, compulsões, fobias, sensibilidade excessiva ou outras formas conhecidas de comportamento neurótico."
“A essência do Movimento Interrompido é a sensação de estar capturado entre o desejo de liberdade e o de conexão - mas não sendo nem verdadeiramente conectado nem verdadeiramente livre”Dra. Ursula Franke Bryson


"O sofrimento, para Bert Hellinger, tem duas razões principais: 
1) o emaranhamento no sistema familiar que procede normalmente de uma geração anterior;
 2) um movimento interrompido do alcançar, da história da vida pessoal.

O primeiro tipo é tratado com constelação, o segundo com uma intervenção parecida com a “Terapia do Holding”, desenvolvida por Prekop, um psicólogo bem conhecido na Alemanha por seu trabalho com crianças.

A criança é totalmente fundida à mãe no início e dela depende em tudo. Cada criança tem um instinto natural de estender a mão em direção à mãe, uma forma de “amor primário”, poderoso e incondicional que garante a sobrevivência da criança enquanto que a mãe tem o instinto de cuidar do filho. Os dois movimentos combinados propiciam o desenvolvimento de um vínculo profundo deles.

O movimento interrompido do alcançar a mãe fica interrompido pela retração emocional da mãe (ou do pai). Nesse caso, ocorre um trauma pessoal da criança que não é o resultado de entrelaçamentos transgeracionais.

Esse problema geralmente ocorre muito cedo na vida - durante a gravidez, durante o nascimento, logo após o nascimento e é muito doloroso para a criança. O trauma mais prejudicial é uma separação precoce da mãe e do bebê: a morte dela após o parto, a impossibilidade de cuidar do filho, o nascimento prematuro que exige que o bebê seja mantido em incubadora e até mesmo os casos de adoecimento materno.
Não menos graves são as situações de o nascimento oferecer risco de vida para a mãe ou para o filho ou risco de vida externo durante a gravidez (guerra). Essas coisas podem causar uma interrupção no movimento natural da criança em direção à mãe e, mesmo após a cessação dele, ele continua de maneira fragmentada, impedindo a realização e a completude.
No curso normal do crescimento, a criança se move lentamente da total unidade com a mãe para um sentido de si mesmo mais separado - individuação - através da qual a criança vai reunindo a sua própria identidade, deixando de ser um-com-a-mãe para se tornar um-em-si-mesmo. Isto é o modelo básico do desenvolvimento da criança, portanto ser criança é estar em um processo de se separar dos pais. Entretanto, ela ainda não é uma personalidade integrada, sendo necessárias muitas conquistas antes de ela ser capaz de estar apoiada sobre os próprios pés completamente. Enquanto isso vai se desenrolando, os pais devem continuar a exercer a função de sustentação essencial para ela.
A perda de um dos pais em uma idade precoce coincide com o período de grande dependência dela sendo esse fato, portanto, profundamente perturbador. Quanto mais cedo ele ocorrer, mais traumático será, sendo a perda da mãe, provavelmente, a mais traumática de todas as perdas.
Sem ser capaz de digerir a dor da separação, a criança não pode absorver o impacto total da experiência e a psique dela responde com barreiras e compensações de todos os tipos, permanecendo como que no limbo, dependurada como um registro que ficou enfiado dentro de uma rachadura na rocha.
O que se torna um bebê negligenciado é que, no começo, ele chora de raiva e desespero até que um momento ele silencia porque desistiu de tentar chamar a atenção da mãe e se refugiou, retraidamente, dentro de si.
A criança retraída aprendeu a não pedir o que ela precisa: ela parou de estender a mão em direção à mãe e se tornou incapaz de seguir os próprios impulsos de sustentação da vida para receber o que precisa dela (mesmo que a mãe se ponha disponível depois). O período de separação é crucial para determinar se a criança vai desenvolver uma personalidade desconfiada e retraída. É um padrão de proteção que nos afasta do amor e da afeição dos outros e que serve para evitar um padrão inconsciente de sentimento de rejeição na infância.
Mesmo depois de se tornar adulta, é provável que desenvolverá um padrão de não se aproximar das outras pessoas. Normalmente, essa pessoa vai construir uma abordagem adulta que vai até um ponto-limite e, após tê-lo atingido, passa a andar em círculos, ao invés de seguir em frente para receber o amor de uma forma simples. Ao invés de ir em linha reta em direção a um alvo, a fim de receber, nos movemos para os lados ou para trás, como em um carrossel que não leva à realização e nos traz de volta ao ponto inicial, nada ganhando ou alcançando. Esse movimento explica o fracasso contínuo de certos clientes, que se boicotam todas as vezes que chegam ao ponto-limite, podendo se dar tanto na esfera afetiva como na de trabalho, por exemplo.
Depois que entendemos o cenário da primeira infância, a solução fica clara. O terapeuta pode tentar restaurar o movimento interrompido, o vínculo, o fluxo de amor entre mãe, pai e filho, ajudando o cliente a concluir o movimento de estender a mão - e completar aquilo que não pôde ser concluído antes, na época certa.
O próprio terapeuta pode fazer o papel da mãe e ajudá-lo a restabelecer a ligação através da criação de uma situação segura, no qual o cliente pode reviver, em pequenas doses, um pouco da dor que ocorreu na infância com a mãe, quando esta não estava lá. Desta vez, porém, ele não será deixado sozinho mas será sustentado pelo terapeuta enquanto passa por tais emoções dolorosas. Isto é um processo de cura que permite que aquilo que ocorreu na infância possa se integrar na vida adulta do cliente.
Em vez de fazer uma constelação, Bert Hellinger sugere que o terapeuta construa uma situação de confiança que permita ao terapeuta ocupar o lugar de uma mãe-substituta do cliente, segura-lo fisicamente no colo proporcionando que ele reviva a experiência de ser separado da mãe, de quase morrer, sentindo a dor que não pode sentir, reconhecendo a experiência traumática inicial, entrando em contato com necessidade básica que a criança tem do amor da mãe e a dor que surge se a conexão amorosa é interrompida por uma separação. O cliente perceberá que, como medida de sobrevivência, se separou da dor mas que ficou dormente e congelado; mas que, agora, pode revive-la no corpo, na segurança dos braços do terapeuta que está ali como ancoragem.
Se for o caso de o pai ter morrido quando a criança era muito nova, podemos convidar o representante da mãe a ser o elo da ligação da criança com o pai pois é a mãe quem importa mais e ela é a figura que, na vida, apresenta o pai à criança.
É importante notar que o movimento interrompido do início da infância é o único caso de o movimento de reconciliação ter de vir dos pais. É assim porque quando o cliente era criança, ele não podia se mover por conta própria (o trauma original ocorreu quando ele era muito pequeno e não podia fazer nada por si mesmo). Na maioria dos outros casos, o movimento de reconciliação vem do cliente, que vai em busca da mãe para receber dela.
Claro que esta obra de recuperação do movimento interrompido pode acontecer com variações por causa do cliente e do terapeuta. Na minha experiência, talvez por ter sido menos influenciado por terapias corporais de revivescência, muito difundidas nos anos 70, dentro de uma constelação, quando se atinge tais camadas mais profundas da psique do cliente, o seu representante se transforma em uma criança pequena, ainda no chão, adota uma postura recurvada ou até mesmo em posição fetal.
Eu mesmo já tive a grata experiência de representar essas situações diversas vezes - fazer uma criança retraída para quem a mãe não estava lá - e me beneficiar, como pessoa, um certo grau de cura de traumas menos salientes que decorrem das falhas da mutualidade da relação da minha mãe comigo enquanto bebê.
Para o cliente que assiste a esse tipo de cena na sua constelação, existe um impacto psicológico que dispensa a necessidade de ter de segurá-lo fisicamente, como Hellinger propôs. Contudo, quando um acesso emocional energético está sendo insuficiente, peço para que o cliente tomar o lugar do representante, ocupando ele mesmo aquilo que estava sendo representado por um terceiro e então romper a barreira defensiva que foi construída na sua alma." (Texto do psicólogo e psicanalista Miguel Mello)

O Movimento amoroso interrompido

"O que as pessoas costumam fazer, a menos que desenvolvam consciência suficiente ou curem bem as feridas, é repetir esse esquema relacional/afetivo na troca amorosa. Por exemplo, se a relação com os pais for de vítima, facilmente se repetirá o esquema com o parceiro, até que o outro, que provavelmente adotou um papel salvador com os seus, perceba que não consegue salvar essa pessoa e a relação se deteriore ou acabe em violência e grande desânimo. Esta é, enfim, a outra face do amor que nos faz bem.
Pessoalmente, acho que essa interrupção do movimento amoroso espontâneo e natural para os progenitores não ocorre só quando há uma separação precoce e dolorosa da mãe ou do pai, ou dos dois; ela é universal, todo mundo o interrompe em algum momento, às vezes de uma maneira grave e outras de uma maneira mais suave. Ou seja, todos experimentamos algum tipo de queda do paraíso amoroso biológico cheio de inocência e ingressamos penosamente nas filas do medo, transformando a pureza de nosso coração em uma tortuosa negociação com o amor.

Wilhelm Reich, conhecido como um dos pioneiros na introdução do corpo e sua couraça muscular na terapia, falou da praga emocional que se perpetua entre pais e filhos. Isso quer dizer que até mesmo os melhores pais, ou os pais mais bem-intencionados e amorosos, em algum momento ferem seus filhos, e também todos os filhos em algum momento ferem seus pais. As feridas e a falta de respeito também fazem parte de qualquer relação de intimidade.

A ferida pode ser grave, como quando se perde um dos pais, ou quando ocorrem abusos ou violência, ou mesmo quando o feto sofre por excesso de emoções estressantes ou pelo uso de substâncias tóxicas durante a gravidez; mas, de qualquer maneira, cabe a todos nós descobrir e trabalhar de que maneira interrompemos esse movimento amoroso espontâneo, e que estratégia, que estilo afetivo, que modo tortuoso, que negócio vincular indireto geramos ao fazê-lo. Porque muito provavelmente vamos levar ao relacionamento esse estilo afetivo e teremos de revisá-lo.

Alguns casais se instalam em estilos afetivos que não se encaixam e que causam muito sofrimento e muita desnutrição. O casal tem de tolerar e sustentar certa dose de mal-estar, ou de tensão ou de estresse em certos contextos, mas, quando essa situação se torna crônica, as pessoas perdem vitalidade, ficam desnutridas. E uma das funções dos membros do casal é ser nutritivos e acompanhar um ao outro.
Enfim, somar mais que dois."

Texto de Joan Garriga - do livro: "O amor que nos faz bem"

07/02/2017

Campos Morfogenéticos



“Os campos morfogenéticos ou campos mórficos são campos que levam informações, não energia, e são utilizáveis através do espaço e do tempo sem perda alguma de intensidade depois de ter sido criado. Eles são campos não físicos que exercem influência sobre sistemas que apresentam algum tipo de organização inerente.” 

 “Os Campos Mórficos funcionam , tal como eu explico em meu livro, a presença do passado, modificando eventos probabilísticos . Quase toda a natureza é inerentemente caótica. Não é rigidamente determinada. A dinâmica das ondas, os padrões atmosféricos, o fluxo turbulento dos fluidos, o comportamento da chuva, todas estas coisas são corretamente incertas, como são os eventos quânticos na teoria quântica. Com o declínio do átomo de urânio você não é capaz de predizer se o átomo declinará hoje ou nos próximos 50.000 anos. É meramente estatístico, Os Campos Mórficos funcionam modificando a probabilidade de eventos puramente aleatórios. Em vez de uma grande aleatoriedade, de algum modo eles enfocam isto, de forma que certas coisas acontecem em vez de outras. É deste modo como eu acredito que eles funcionam."

Rupert Sheldrake



Seguem alguns artigos/vídeos explicativos a respeito da teoria de Campos Morfogenéticos:

 Ressonância mórfica: a teoria do centésimo macaco - http://galileu.globo.com/edic/91/conhecimento1.htm

A Teoria dos Campos Mórficos do Biólogo Rupert Sheldrake -
https://www.ecodebate.com.br/2011/03/14/a-teoria-dos-campos-morficos-do-biologo-rupert-sheldrake-artigo-de-antonio-silvio-hendges/

Morphic Resonancehttp://www.sheldrake.org/research/morphic-resonance




12/10/2015

Direito Sistêmico - Juiz Sami Storch


Durante seminário com Bert e Sophie Hellinger ocorrido em São Paulo (agosto/2015), René Schubert entrevista Sami Storch, abordando o significado do conhecimento das leis sistêmicas para a pacificação dos conflitos e de como isso pode mudar a maneira de os advogados lidarem com questões de família. Vídeo em Português e Alemão.

A entrevista transcorreu com a presença da comunicadora alemã Michaela Groer / psicólogo René Schubert / Juiz Sami Storch

Schubert mit Sami Storch, Richter in Brasilien - Youtube Hellinger Sciencia:

 

13/08/2015

O conceito "Script de Vida"



 (cena da peça Hamlet - de Shakespeare)


Em teatro, cinema e programas de televisão, o script é um texto com as instruções escritas que devem ser seguidas pelos atores para dar vida aos personagens ou apresentadores, servindo como roteiro para a peça teatral, o enredo do filme ou a apresentação do programa.

No script estão todas as informações a respeito do que se vai apresentar, como atitudes, comportamento, descrições técnicas, utilização de cenários, etc., para que seja montado um espetáculo conforme o escritor e autor imaginou.

O mais conhecido autor de teatro, William Shakespeare, já utilizava os recursos em suas comédias e tragédias, embora não tão detalhadamente quanto os autores atuais. 

Criada pelo psiquiatra canadense Eric Berne, a Análise Transacional, oferece alternativas para que o indivíduo transforme o plano de vida criado na infância em algo espontâneo e autônomo. O Script ou Argumento de Vida consiste no plano inconsciente de vida que a pessoa cultiva na primeira infância, totalmente influenciada pelos pais e que direcionará suas ações nos processos mais determinantes da sua existência.

"A nossa vida segue um plano oculto desde o início. Por isto o chamo de nosso “script”.  Por tal razão podemos compara-la a um filme, que segue um roteiro em cada detalhe e determina como este jogo termina.

É desta maneira que a vida procede do início até o fim. A pergunta é:  Faz alguma diferença se conhecemos o nosso script de vida. Alguns já conhecem o seu script, mesmo antes de começarem a sua trajetória. Eles a seguem até que se realize.

Os scripts determinadores para a humanidade terminam de forma trágica. Por exemplo os scripts de Alexandre o Grande, Alexander, Júlio Cesar, Hannibal, ou Napoleão. Todos eles têm em comum que após o grande sucesso vem uma derrota total.

Quando um homem ainda jovem já sabia que ele ascenderia a um grande poder e perderia tudo ao final. Depois de ir à ópera “Rienzi” de Richard Wagner quatorze vezes na cidade de Linz, ele corria pela cidade gritando “Este é o meu destino!”. O qual, igual ao herói da ópera, o levou às mais elevadas alturas da sua carreira de vida e o deixou cair abandonado e finalmente morrer.
Outros sabiam do seu script? Somente ele o sabia, e ele acreditava ser invulnerável, até o seu fim predestinado. O seu nome era Hitler.

A pergunta é: De onde vem o nosso script de vida? Quais forças o determinam? Por quê já sabemos antes de seis anos de vida qual será o nosso script de vida? 

Mesmo se ele não é acessível para nos de forma consciente, o seguimos de forma imperturbável.

A pergunta é: Podemos trazer alguma mudança? Ou podemos ao menos nos posicionar para evitar o pior? Quem ou o quê pode ajudar?  

A combinação de Script de Vida, Constelação Familiar – uma forma humilde da constelação – e Cosmic Power®. 

Esta revelação do script e esta interação precisam acontecer de forma “retirada” e humilde: sabendo de suas limitações, e de forma religiosa, dentro do sentido mais profundo de religioso, humilde. 

Aquilo que acontece confia em uma força eterna, muito além desta vida. Os insights e soluções nos são dados de presente desde um outro lugar. A forma como Bert Hellinger revela o script da vida é de uma sabedoria respeitosa e, mesmo assim, clara. E nos levam para uma dimensão infinita."

Fonte: Pagina da Hellinger Schule - verifcado em 2015 - https://www.hellinger.com/pt/pagina/



13/03/2014

Irmãos - A ordem de nascimento





Texto escrito pela especialista em família e educação Dra. Gail Gross:


"Você vai fazer uma viagem de carro com seus irmãos adultos. Qual desses três cenários mais se parece com você?

1. Você vem planejando a viagem há semanas, já cuidou das reservas de hotel e restaurante, trocou o óleo do carro e encheu o tanque. E até já mapeou as paradas para descanso ao longo do caminho.

2. Você passou a manhã na correria, tentando aprontar tudo. No final, jogou lanches e roupas na mala de qualquer jeito, na última hora. Se é você quem vai dirigir, está torcendo para encontrar um posto na estrada e encher o tanque, que está pela metade.

3. Viagem em família? Vai ser divertido! Você aceitou o convite porque vai ser uma curtição e não planejou contribuir com nada, exceto suas piadas e historinhas divertidas. Você curte os lanches que seus irmãos mais velhos trouxeram. Percebe que talvez precise comprar um agasalho mais apropriado quando vocês chegarem ao destino.

Se você se identifica com o cenário nº 1, é provável que seja o filho primogênito.

Se o segundo cenário o descreve bem, você é provavelmente o filho do meio.

Você se identifica mais com o cenário nº 3? O mais provável é que seja o caçula."

A ordem de nascimento faz diferença

Alguns pesquisadores consideram a ordem de nascimento tão importante quanto o gênero e quase tão importante quanto questões genéticas. É a velha história da natureza versus criação. Em minha experiência de educadora e pesquisadora, sei que não existem dois irmãos que tenham os mesmos pai e mãe, mesmo que vivam na mesma família. Por que? Porque os pais são diferentes com cada um de seus filhos, e não há dois filhos que desempenhem o mesmo papel. Por exemplo, se você é o filho cuidador, o papel de cuidador já terá sido tomado, e seu irmão escolherá outro papel para exercer na família, talvez o do realizador.

Somos pais diferentes com cada filho

Como pai ou mãe, você se lembra bem de seu primeiro filho. Foi aquele que você vigiava quando estava dormindo, para ter certeza de que continuava a respirar. Foi o bebê que você carregou no colo e amamentou e/ou para o qual esterilizou mamadeiras por mais tempo. Esse filho é o único que terá tido o monopólio dos pais; todos os outros filhos foram obrigados a dividi-los.
O filho primogênito nasce numa família de adultos que se orgulha de cada conquista dele e teme todo machucado ou acidente potencial. O filho do meio com frequência é dominado pelo primogênito, que é mais velho, sabe mais e é mais competente. Quando nasce o filho caçula, os pais geralmente já estão cansados e têm menos tendência a querer controlar tudo. Quando você tem seu caçula, já sabe que seu bebê não vai quebrar; logo, pode ser mais flexível em termos de atenção e disciplina. O resultado é que seu bebê aprende desde cedo a seduzi e divertir vocês.

O realizador, o pacificador e o brincalhão

Enquanto o filho mais velho é programado para alcançar excelência e realizações, o filho do meio é criado para ser compreensivo e conciliador, e o caçula quer atenção. Assim, a ordem de nascimento dos filhos é uma variável poderosa no desabrochar da personalidade de cada um.

O primogênito: o realizador

O primogênito provavelmente terá mais em comum com outros primogênitos do que com seus próprios irmãos. Pelo fato de ter sido alvos de tanto controle e atenção de seus pais, marinheiros de primeira viagem, os primogênitos são responsáveis até demais, confiáveis, bem comportados, cuidadosos --versões menores de seus pais.
Se você é filho primogênito, é provável que seja um realizador que busca aprovação, domina e é aquele perfeccionista que suga todo o oxigênio que há na sala. Você pode ser encontrado em profissões que requerem liderança, como direito, medicina, ou ser CEO de uma empresa. Como mini-pai ou mãe, também tenta dominar seus irmãos. O problema é que, quando nasce o bebê número dois, você tem um sentimento de perda. Ao perder seu lugar no trono familiar, você também perde o lugar especial decorrente da singularidade. Toda a atenção que era voltada exclusivamente a você agora terá que ser compartilhada entre você e seu irmão.

O filho do meio: o pacificador

Se você é filho do meio, é provável que seja compreensivo, cooperador e flexível, mas também competitivo. Você se preocupa com o que é justo. Na realidade, como filho do meio, é muito provável que escolha um círculo íntimo de amigos para representar sua grande família. É nesse espaço que encontrará a atenção que lhe faz falta em sua família de origem. Como filho do meio, você é quem recebe menos atenção de sua família, e por essa razão essa família que você escolheu é sua compensação. Como filho do meio, você está em muito boa companhia: presidentes americanos notáveis e celebridades como Abraham Lincoln, John F. Kennedy, Winston Churchill, Bill Gates, Donald Trump e Steve Forbes também o são. Embora em muitos casos você só se destaque mais tarde na vida, acabará em profissões poderosas que lhe permitam fazer bom uso de suas habilidades de negociador -- e também conseguir aquela atenção que lhe faz tanta falta.
Você e seu irmão mais velho nunca vão se destacar na mesma coisa. O traço de personalidade que o define como filho do meio será o oposto daquele de seu irmão mais velho e do menor. Mas as ótimas habilidades sociais que você aprendeu por ser o filho do meio --negociar e orientar-se dentro de sua estrutura familiar-- podem prepará-lo para um papel de empreendedor num palco maior.

O filho caçula: aquele que anima a festa

Se você é o caçula da família, seus pais já se sentiam confiantes em seus papéis de cuidadores; por essa razão, eram menos rígidos e não necessariamente prestavam atenção a cada passo ou marco seus, como fizeram com seus irmãos mais velhos. Assim, você deve ter aprendido a seduzir as pessoas com seu charme e simpatia.
Como filho caçula, você tem mais liberdade que os irmãos mais velhos e, em certo sentido, é mais independente que eles. Como o caçula, você também tem muito em comum com seu irmão mais velho, já que vocês foram tratados como especiais, dotados de certos direitos inatos. Sua influência se estende a toda a família, que lhe dá apoo emocional e físico. Logo, você tem um sentimento de segurança e de ter seu lugar próprio.
Provavelmente não o surpreenderá observar que os filhos caçulas com frequência encontram profissões ligados ao entretenimento, como atores, comediantes, escritores, diretores e assim por diante. Eles também dão bons médicos e professores. Como seus pais foram mais descontraídos e lenientes, você tem a expectativa de ter liberdade para seguir seu próprio caminho em estilo criativo. E, como o caçula da família, carrega menos responsabilidade, e por essa razão não atrai experiências responsáveis.

O filho único

Se você é filho único, cresce cercado por adultos e, por essa razão, com frequência sabe verbalizar as coisas bem e tem bastante maturidade. Isso possibilita ganhos de inteligência que excedem outras diferenças de ordem de nascimento. Tendo passado tanto tempo sozinho, você é engenhoso, criativo e tem confiança em sua independência. Se você é filho único, na realidade tem muito em comum com os primogênitos e também com os caçulas.

Pais: conheçam seus filhos

Em última análise, é importante para os pais conhecer seus filhos. Ainda mais importante que a ordem em que eles nasceram é criar um ambiente positivo, sadio, seguro e estimulante. Compreendendo a personalidade e o temperamento de cada filho, você pode organizar o ambiente dele de modo a aproximá-lo de seu potencial mais pleno. Por exemplo, sabendo que o filho primogênito tem grande senso de responsabilidade, você pode aliviar a carga dele, e reconhecendo que o caçula está vivendo em um ambiente mais leniente, você pode ser mais exigente em termos de disciplina.
A criança precisa ter direito de buscar seu próprio destino, seja qual for seu papel na família, e, como mãe ou pai, sua tarefa mais importante é apoiá-la nessa sua jornada individual.



Pequeno adendo sobre Ordem e Hierarquia, no conceito das Constelações Familiares:

"Existe uma ordem em relacionamentos que atribui aos membros, mas antigos a precedência em relação àqueles que vieram depois. Denomino-a de ordem original. Neste sentido um casal encontra-se no mesmo nível, pois iniciam a relação ao mesmo tempo. O mesmo vale para os pais. Entre eles não existe uma preferência nesse sentido. Eles começam juntos. Aqui também são equivalentes.Quando eles têm filhos, o primeiro tem uma preferência hierárquica em relação ao segundo, e o segundo tem uma preferência hierárquica em relação ao terceiro. Isso não significa que o primeiro filho possui o poder de dar ordens aos outros irmãos, mas de acordo com a hierarquia, ele vem antes e, naturalmente, os pais têm a preferência hierárquica em relação aos seus filhos.O efeito é bom quando respeitamos a ordem original, por exemplo, quando uma família senta-se à mesa. Imaginem que, de um lado, estão os pais, o homem senta-se à direita da mulher, a mulher à esquerda do homem. As crianças ficam de frente para eles, primeiro o filho mais velho, à sua esquerda o segundo e assim por diante. A ordem hierárquica segue o sentido do relógio, porém, o primeiro filho pode também se sentar à esquerda da mãe, depois o segundo e o terceiro e assim por diante, de modo que formem um círculo. Se os conflitos na mesa são freqüentes, manter essa ordem gera a paz." 


"Quando um mais novo assume algo de funesto em lugar de um mais velho, mesmo que seja por amor, ele se intromete na esfera mais pessoal de alguém que hierarquicamente o precede e tira dessa pessoa e de seus destino funesto sua dignidade e força. Nesse caso, do lado bom do destino difícil já não resta a ambos a coisa em si, mas apenas o preço pago por ela. Quando um filho infringe a hierarquia do dar e tomar, ele se pune com severidade, frequentemente com fracasso e o declínio, sem tomar consciência da culpa e da conexão. Isto porque, como é por amor que ele transgride a ordem ao dar ou tomar o que não lhe compete, não se dá conta da própria arrogância e julga que está agindo bem. Porém, a ordem não se deixa suplantar pelo amor. Pois o sentido de equilíbrio que atua na alma, anteriormente a qualquer amor, leva a ordem do amor a fazer justiça e compensação, mesmo ao preço da felicidade e da vida. Por essa razão, a luta do amor contra a ordem está no início e no fim de toda tragédia, e só existe um caminho para escapar disso: compreender a ordem e segui-la com amor. Compreender a ordem é sabedoria, segui-la com amor é humildade."

Bert Hellinger 


E, segundo o Journal of Research in Personality:

A teoria sobre esta relação foi proposta em 1920 por Alfred Adler, companheiro e amigo de Sigmund Freud. Segundo Adler, a ordem de nascimento de um filho em uma família tem um papel muito importante.
  • Primogênito (filho mais velho). Segundo Adler, o primeiro filho é mais conservador, tende a assumir um papel autoritário e possui qualidades de líder. Acostumado a cuidar e a proteger os irmãos mais novos, ele também é carinhoso e costuma a se transformar em um bom pai/mãe no futuro. Além disso, é uma pessoa que tem iniciativa.
  • Segundo filho (irmão do meio). Se deixa influenciar pelo irmão mais velho. Muitas vezes, luta para ser melhor do que ele. Costuma colocar metas mais altas para tentar ser melhor e, por isso, tende a fracassar mais. Não obstante, isso só o faz mais forte.
  • Filho mais novo (irmão mais novo). Em geral, está cercado de carinho e atenção. Pode se sentir inferior e até mesmo ser dependente. Não obstante, é motivado e sempre luta para superar os outros irmãos. Muitas vezes, se transforma no melhor na área escolhida, como esporte ou música, e se relaciona muito bem com as pessoas. Pode ser mais irresponsável e despreocupado que os outros irmãos.
  • Filho único. Muitas vezes, compete contra seu pai. Em geral, se esconde embaixo das asas da mãe e sempre espera que cuidem dele. Precisa de proteção. A dependência e o egocentrismo são traços muito fortes na personalidade de um filho único. Costuma ter dificuldades para se relacionar com pessoa da mesma idade que ele. Não obstante, é perfeccionista e sempre luta até o final para alcançar as metas estipuladas.
Uma pesquisa encontrou mais provas de que a ordem de nascimento influencia a formação da personalidade. Cientistas analisaram as personalidades de 370 mil alunos nos Estados Unidos. As principais conclusões foram essas: os primogênitos são mais honestos e propensos à liderança, além de menos sociáveis e resistentes ao estresse. Irmãos do meio são mais responsáveis e focados. Os filhos mais novos são mais abertos e sociáveis. Os filhos únicos, muitas vezes, se mostraram mais nervosos, mas amigáveis e sociáveis.

Concluindo... Na realidade, os dados das pesquisas mostram algumas imprecisões porque não consideram uma série de fatores sociais muito importantes, como a nacionalidade, a educação e as outras relações dentro da família. Sim, a ordem influencia a personalidade, mas a relação pai e filhos também deve ser observada, assim como as diferentes formas como os pais educam cada filho dentro da mesma família.



Para aprofundar a temática se sugere a leitura das obras e referências:

Dra. Gail Gross -  http://www.huffingtonpost.com/dr-gail-gross/
Journal of Research in Personality Volume 58, October 2015, Pages 96-105 - https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0092656615000525
Alfred Adler - A ciência da Natureza Humana
Bert Hellinger - A simetria oculta do Amor
Donald Woods Winnicott -  Objetos transicionais e fenômenos transicionais / O brincar e a realidade
Jacques Lacan - Os complexos familiares
Karl König - Irmãos e irmãs 
Melanie Klein - Inveja e gratidão
René Kaës - O complexo fraterno
Sigmund Freud - Totem e Tabu