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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Quem está ressentido, não está livre - Stephan Hausner




Quem está ressentido, não está livre 

"Na constelação o paciente reconhece onde se encontra atado e onde tem potencial para desatar essas ataduras.

Não se trata de mudar comportamentos, mas de mudar posições fundamentais, que levam ao crescimento. Talvez, a partir desse crescimento, ele possa então mudar comportamentos.

Quando começo a trabalhar com um grupo de constelação, explico que em grande medida é o conceito que o paciente tem sobre a vida que o levou até o ponto onde ele se encontra neste momento.

Explico-o através de um exemplo, que designo por “ecologia da doença”: quando na sequência da fratura de uma perna nos colocam o gesso que nos obriga a ficar na cama, sabemos que por um breve período de tempo não vamos poder caminhar; quer dizer que o nosso corpo só investe nas estruturas estritamente necessárias.

Porque é que um corpo pode manter uma doença por vezes ao longo de toda a vida? Isso é explicável quando a doença tem um significado mais profundo, ou quando o paciente dela beneficia, de forma inconsciente.

Este enquadramento da doença tange à responsabilidade pessoal pela situação. O assentir à situação vital atual é, para mim, a premissa para se realizar um trabalho de constelação e é também o primeiro passo em direção à solução.

A experiência mostra que quando uma pessoa não pode dizer “sim” à sua situação de vida, à sua vida tal como a recebeu dos seus pais, então não pode dizer “sim” àquilo que se revela numa constelação. 

Só tem futuro quem está em consonância com o seu passado.

Quem está ressentido com seu passado, está atado, e, portanto, não está livre para o futuro.

A força para a solução e para a cura vem da consonância.

Portanto, a anamnese que faço é determinada pela pergunta: qual é o tema com o qual o paciente não está em consonância? Isto pode referir-se à sua vida pessoal, de um trauma, de um movimento interrompido, ou pode também ir para além da sua vida pessoal.

Nas constelações com doentes torna-se evidente que a visão sobre a vida pessoal não é suficiente. Para uma vida plena, com saúde, é necessário estar em consonância com os nossos pais, com a história da nossa família e com a história do mundo tal qual como ele é.

O oposto da consonância é a reclamação, a culpabilização e a censura. Com isto, estreitamo-nos e paralisamos.

Quando termina, vivenciamos a resolução como curativa e pacificadora da alma e do corpo.

Nas constelações a doença revela-se-nos na sua condição de força reguladora à serviço do indivíduo, da família e de sistemas maiores."


Stephan Hausner. Curación en Sintonía. Una conversación con Marianne Franke. 21.09.06. In ECOS-boletín nº 21, enero de 2009.

Fonte e tradução do castelhano por Eva Jacinto.

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