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domingo, 13 de maio de 2018

Carta de Bert Hellinger à sua mãe



“Querida Mãe,

Você é uma mulher comum, assim como milhares de outras mulheres. Amo você assim, como mulher comum. Como mulher comum você encontrou o meu pai. Ele também é comum. Vocês se amaram e decidiram passar a vida inteira juntos. Casaram-se, isto também é comum, e se amaram como homem e mulher, profundamente. Fui gerado através desse amor profundo. Sou um fruto do amor de vocês. Vivo, pois vocês se amaram – muito comum.

Esperaram por mim durante nove meses, com esperança e aflições, perguntando-se se as coisas caminhariam bem para vocês e para mim.

Sim, querida mamãe, então você me pariu com dores e tormentos. Assim como outras mães têm os seus filhos. Então, eu estava aqui.

Vocês olharam para mim e se olharam. Estranharam: este é o nosso filho? E disseram sim para mim. Sim, você é o nosso filho e nós somos seus pais. Tomamos você como o nosso filho. Então me deram um nome através do qual me chamam, deram-me o seu nome e disseram a todos: este é o nosso filho, pertence a nós.

Vocês me nutriram, educaram e cuidaram de mim durante muitos anos. Sempre pensaram em mim. Preocupavam-se e se questionavam sobre as minhas necessidades. Deram-me muito.

Os outros, assim como eu, também, às vezes, diziam que vocês tinham falhas, que não eram perfeitos e que deveriam ter sido diferentes. Mas assim, da forma que vocês foram, foram certos para mim. Somente por terem sido da forma que foram, tornei-me quem sou. Para mim, tudo estava certo. Eu lhe agradeço, querida mãe, eu lhe agradeço, querido pai.”

Agora, o mais importante: “Liberto você, querida mãe, de todas as minhas expectativas e exigências que superam o que se pode esperar de uma mulher comum. Recebi suficientemente e já basta. Obrigado. Libero você, querido pai, de todas as minhas expectativas e exigências que superam o que se pode esperar de um homem comum. Eu lhe agradeço.”


Bert Hellinger


quinta-feira, 19 de abril de 2018

Ovelha negra da familia





"As chamadas "ovelhas negras" da família são, na verdade, caçadores natos de caminhos de libertação para a árvore genealógica.

Os membros de uma árvore que não se adaptam às normas ou tradições do sistema familiar, aqueles que desde pequenos procuravam constantemente revolucionar as crenças, indo em contravía dos caminhos marcados pelas tradições familiares, aqueles criticados, julgados e mesmo rejeitados, esses, geralmente são os chamados a libertar a árvore de histórias repetitivas que frustram gerações inteiras.

As "ovelhas negras", as que não se adaptam, as que gritam rebeldia, cumprem um papel básico dentro de cada sistema familiar, elas reparam, apanham e criam o novo e desabrocham ramos na árvore genealógica.

Graças a estes membros, as nossas árvores renovam as suas raízes. Sua rebeldia é terra fértil, sua loucura é água que nutre, sua teimosia é novo ar, sua paixão é fogo que volta a acender o coração dos ancestrais.

Incontáveis desejos reprimidos, sonhos não realizados, talentos frustrados de nossos ancestrais se manifestam na rebeldia dessas ovelhas negras procurando realizar-se. A árvore genealógica, por inércia quererá continuar a manter o curso castrador e tóxico do seu tronco, o que faz a tarefa das nossas ovelhas um trabalho difícil e conflituoso.

No entanto, quem traria novas flores para a nossa árvore se não fosse por elas? Quem criaria novos ramos? Sem elas, os sonhos não realizados daqueles que sustentam a árvore gerações atrás, morreriam enterrados sob as suas próprias raízes.

Que ninguém te faça duvidar, cuida da tua"raridade" como a flor mais preciosa da tua árvore. Tu és o sonho de todos os teus antepassados."


 Bert Hellinger

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Conferência para Congresso Brasileiro de Psicologia




Trabalhos aprovados a serem apresentados como conferências pelo psicólogo René Schubert no V Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência & Profissão
- Constelação Familiar: da postura fenomenológica ao olhar e teoria sistêmica
- Sindrome de Floating Harbor e/ou Sindrome Pellitier-Leisti: Estudo de Caso Clínico
- Uma experiência em clínica psiquiátrica infantil permeada pelo Humor

Segue aqui o resumo do trabalho a ser apresentado como conferência no congresso relacionado ao campo das Constelações Familiares:

Constelação Familiar: da postura fenomenológica ao olhar e teoria sistêmica

"A partir da manifestações e movimentos no Brasil da técnica alternativa das Constelações Familiares pretende-se com esta apresentação refletir e levantar o histórico e as bases teóricas por detrás desta abordagem caracterizada como fenomenológico-sistêmica. Estudando a origem da técnica se tem a informação de que as constelações familiares tiveram início na Alemanha há 35 anos sendo introduzidas ao publico pelo filósofo e psicoterapeuta Bert Hellinger. O movimento inicial se dá na Alemanha e Áustria e segue se espalhando pela Europa, Asia, Estados Unidos e América Latina. Este pensador reuniu diversos campos do saber e experiencias terapêuticas para configurar desta maneira a constelação familiar, e a partir disto diversos profissionais da área da saúde e posteriormente da educação, administração e direito começaram a aplicar a técnica e desenvolver variações e adaptações. Bert Hellinger aponta que a técnica está a serviço da percepção e consciencia pelo cliente de seu lugar ocupado na família e sociedade, a qualidade dos vínculos e trocas estabelecidas e possibilidade de reconciliação com a própria historia. Diversos autores do campo da psicologia, medicina e filosofia na Europa e Estados Unidos começaram a apontar as origens e bases desta técnica e também relacionar a estas origens a força da mesma. Entre algumas das referências utilizadas temos a Gestalt terapia, a psicanalise, a psicologia analítica, o psicodrama, a terapia familiar sistêmica, a hipnoterapia, a analise transacional, entre outras. Desta maneira propõe-se nesta conferência apontar, refletir e discutir este tecido teórico, suas apresentações e aplicações nesta terapêutica alternativa."

Palavras-Chave: Constelação Familiar; Base Teórica; Filosofia; Psicologia


Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira, composto por entidades da Psicologia, convida a todos para o V Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão.
O Congresso, que está se preparando para a sua 5ª edição, é:
  • espaço para o diálogo da diversidade da Psicologia no Brasil;
  • discutir propostas psicopedagógicas e a intervenção dos blogs na educação brasileira
  • lugar para o encontro da ciência e da profissão, que permite haver uma contribuição significativa na produção dos saberes e fazeres da Psicologia;
  • momento importante no desenvolvimento da identidade dos psicólogos
  • possibilidade para que todas as questões, abordagens e construções da Psicologia se apresentem e possam ser divulgadas e debatidas
  • lugar do desenvolvimento do compromisso da Psicologia com as necessidades da sociedade brasileira.
O Congresso será realizado na Universidade Nove de Julho, Campus Memorial, em São Paulo. Home page: http://www2.pol.org.br/inscricoesonline/cbp/2018/

domingo, 8 de abril de 2018

Workshop: Exercícios Sistêmicos



Workshop de Exercícios Sistêmicos a partir da obra: Toques na Alma

Facilitadores: Oswaldo Santucci e René Schubert

Toques na Alma - Um livro com 37 exercícios e recursos sistêmicos para caminhos e processos de Transformação.Escrito por diversos profissionais brasileiros que atuam no campo das Constelações Familiares em seus variados e abrangentes ramos de atuação. Foram 4 anos de trabalho do grupo de autores para o desenvolvimento de uma práxis sistêmica que poderia ser utilizada como recursos por facilitadores sistêmicos em grupos, oficinas ou mesmo individualmente em consultórios.​

Neste workshop os facilitadores Oswaldo e René apresentarão ao publico interessado os exercícios por eles escritos no livro Toques na Alma - o histórico, desenvolvimento, aplicação e reflexões.

Data: 28/04/2018 das 9 às 18 horas 
Investimento: 100 Reais
Endereço: Editora Conexão Sistêmica - R. Clodomiro Amazonas, 1099

quarta-feira, 28 de março de 2018

Vivência em Piracicaba/SP




“Uma arvore não pode escolher o local onde irá crescer...mas o local no qual sua semente caiu é o certo e adequado para esta  Bert Hellinger

Vivência em Constelação Familiar em Piracicaba/SP
08/06/2018 - a partir das 15 horas.

Local: Arte Om Yoga e Terapias- Rua Campos Salles, 1458-Bairro dos Alemães
Organizadora: Marina - Telefone (19) 3041-4039/ whats app (19) 98451-0006 / arteomterapias@hotmail.com

Facilitador: René Schubert - Psicólogo e facilitador em Constelações Familiares. Formação no Brasil e Alemanha. Membro da Hellinger Sciencia

segunda-feira, 26 de março de 2018

Forças da Natureza e as constelações - Síntese

Forças da Natureza e as constelações - 16 a 18 de março de 2018 - em Cumuruxatiba - BA / Facilitadora: Astrid Habiba Kreszmeier – Suíça



“O foco deste curso está no Reino da Natureza. A constelação trabalha com perguntas, sistemas comunicativos e sociais humanos, internos e externos. Muitas vezes, nessa busca entram também aspectos filosóficos, elementos espirituais, ou também campos históricos e países que então fazem parte da representação.Durante o curso, vamos nos relembrar que a vida humana está diretamente ligada à terra e aos elementos naturais dela, a natureza em si. Nela, está a “casa” da nossa ancestralidade e a própria história humana. Vamos experienciar os efeitos extremamente curativos que acontecem quando forças da natureza também estão integradas nos processos das constelações.” Espaço Conexão Sistêmica - https://www.conexaosistemica.com.br/



Segue uma breve síntese deste curso ocorrido na belíssima Cumuruxatiba/BA. Em um grupo de facilitadores de diversos pontos do Brasil pudemos aprender e vivenciar com Astrid Habiba Kreszmeier uma forma de constelar integrando elementos da natureza. Constelações Familiares e rituais buscando harmonizar, conciliar conflitos afetivos, corpo, vínculos, simbolos, linguagem, cultura, relações e o meio ambiente, a natureza que nos cerca.

"As 3 direções de trabalho que os terapeutas em Constelações Sistêmicas devem se orientar. A primeira direção é: Como nós, terapeutas sistêmicos, estamos com o diálogo com nós mesmos? Como lidamos com as nossas experiências biográficas e fenomenológicas? Como nos relacionamos com o que nos cercam? Qual compreensão temos da própria corporalidade? Realizamos o caminho para buscarmos o sentido da vida e a construção do auto amor?

A segunda direção de trabalho busca compreendermos como nós dialogamos com o outro ser humano. Qual a nossa forma de comunicação/ expressão. Como nós nos relacionamos com essas pessoas que por sua vez se relacionam com outros seres humanos e outros que já morreram - ancestrais. Como podemos ser facilitadores dessa reconexão para que o outro encontre a Presença no agora?

A Terceira direção nos convida a pensar e sentir como nós seres humanos integramos a nossa Terra, a nossa Pátria, a nossa casa? Quais os elementos da natureza que poderão ser recursos preciosos para uma renovação de fluxo dentro da Constelação Sistêmica integrando o diálogo interno familiar, social, ambiental e espiritual?

Os Recursos da natureza podem ser compreendidos como meta-posições que quando usados adequadamente pelo terapeuta, podem gerar novas perspectivas de solução e/ou cura para o cliente. Despertar o instinto topográfico do terapeuta é uma excelente estratégia para novas formas de trabalho dentro do campo das Constelações.”

"Conforme diálogo com a natureza e entorno, mudo as formas de relação e vínculo com o alimento, com o outro e comigo mesmo. O que a terra já sofreu, o que ela já viveu, do que gostou? Como ela foi tratada, como e qual é a sua história?"

"Verificar qual autorização que tenho na atuação de determinado lugar. O dar e receber e seu equilíbrio são partes das Leis da natureza"

"Ao que o cliente se conecta no campo da Constelação? Qual a imagem trazida e qual se forma? O que falta e o que/quem precisa?"

"Todos nós recebemos um corpo. O corpo é nossa casa neste plano. Nossa casa na vida. Cada qual tem um chamado, uma casa para cuidar"

"A inteligência corporal a partir de certa topografia - sou chamado por um cheiro, um formato, uma lembrança, memória..."

"Temos todos os recursos a disposição aqui e agora, no cliente, nos representantes, no entorno, no campo..."

"O trabalho espiritual é movimentar, na medida possivel, sua estrutura pessoal em busca de vinculos e relações equilibradas" 

"Uso dos elementos da natureza como fogo, terra, água e ar como recursos possiveis representados no campo das Constelações"

"A constelação familiar é uma forma moderna de ritual - manifestação, elaboração e integração - Teatro de cura"

" ...Somos mais do que pensamos, somos uma figura complexa com varias camadas e essa complexidade é uma das direções de trabalho. Como entramos em contato com o auto diálogo adequado para o auto amor? Conforme dialogo com a natureza e entorno, mudo as formas de relação e vinculo com o alimento, com o outro e comigo mesmo"

 Astrid Habiba Kreszmeier


(Placa na praia do primeiro avistamento do Brasil pelos portugueses - Barra do Cahy)

"Em um novo projeto, este precisa de algo ou alguém que o cuide como se fosse um filho. Não se fará de sozinho. Precisa que alguém o protagonize. O cliente precisa ser o protagonista do novo"

Oswaldo Santucci


(René Schubert, Oswaldo Santucci, Citto, Habiba)


Contribuições para esta postagem: Fatima Oliveira, Gil Mori, Oswaldo Santucci

segunda-feira, 5 de março de 2018

A conexão entre o pensamento sistêmico e as Constelações Familiares

Neste vídeo a psicoterapeuta austríaca Christine Blumenstein Essen fala sobre as conexões entre a teoria e pensamento sistêmico e as Constelações Familiares. Tradução livre do inglês feita por René Schubert.



"Meu nome é Christine Blumenstein Essen e venho da Áustria, trabalho lá como psicoterapeuta, supervisora, facilitadora e como coach. E estou neste treinamento para facilitar um workshop sobre o trabalho de Constelação no contexto das Organizações e Coaching. Falarei um pouco da teoria sistêmica e neste sentido falo da teoria de Niklas Luhmann sobre Sistemas Sociais ( neste caso aqui o conceito de Luhman sobre Sistemas Sociais). Neste tipo de teoria sistêmica que parte do ponto de vista da sociologia, temos que os sistemas sociais não são formados pelos indivíduos, mas sim pela contribuição que as pessoas fazem para que haja comunicação. Você poderia dizer, todas as comunicações, todas as formas de falar uns com os outros, a forma como se mostram, não se trata apenas de falar, mas também de como demonstram. A forma como nos comunicamos é a maneira como criamos nossas ideias e é a maneira como criamos o reino no qual coexistimos. Desta maneira no sistema social não se trata apenas dos indivíduos juntos, mas é mais a forma como a comunicação segue em frente. Isto parte da ideia do sistema social dentro de um enquadramento temporal. O que significa, enquanto certa comunicação é mantida por um grupo de participantes, ou enquanto uma comunicação segue adiante tal como o elo de uma corrente que se conecta com outro elo e assim por diante na forma de comunicação, em alemão teríamos a palavra “anschlussfahig” ( capacidade de ser completado), ou seja, enquanto um elo segue para outro, temos uma corrente/cadeia de comunicação que faz um certo tipo de melodia. Você poderia chamar isto de uma frase musical. E enquanto esta cadeia de comunicação for feita, o sistema social existe. Quando paramos de encontrar os anéis, os elos, nos quais podemos nos encaixar, o sistema social termina e outro sistema social pode daí advir. Isto significa que, quando estamos criando um sistema social pela forma como nos comunicamos, o sistema social é, no sentido de solidez, sua duração é o tanto quanto pessoas duram. Quando você transfere isto para o trabalho das constelações familiares você poderia dizer que o que se coloca na constelação não é A família ou A organização, ou O sistema psíquico que é, mas sim estamos colocando a questão de um cliente ou de alguém que está interessado em alguma coisa da qual temos uma questão. E quando temos uma questão temos um tipo de intenção. Temos um tipo de sentido, uma direção (“Richtung”). E quando constelamos, colocamos algo que é a questão de alguém em direção a algo que esta pessoa quer alcançar, ou saber ou ter resposta para (..) E neste contexto que estamos seja em um grupo, em uma consultoria ou em uma consulta psicoterapêutica, esta pessoa, neste momento, neste contexto de sua vida, está fazendo uma pergunta/questão e o que nos vemos quando colocamos isto é um sistema social, os elementos da comunicação que estão presentes neste momento e relacionados à esta questão colocada. Isto significa uma ideia mais fluida acerca dos sistemas que vemos na constelação. Que estamos então coreografando. Neste sentido não estamos procurando pela família exata ou organização exata, mas sim estamos procurando como podemos compreender o sistema social que o cliente ou um grupo de clientes tem em mente e estamos vendo quais novas ideias, comunicações, performances do sistema social podem ser encontradas a fim de ter diferentes formas de linguagem uns com os outros. Podemos dizer que há uma comunicação especial, há uma comunicação no sistema que faz com que o problema esteja lá e faz todo o possível para que possa existir e seguir existindo. E quando encontramos novas ideias ou quando aprendemos a encontrar novas perspectivas e novas formas de estabelecer a comunicação, nós inventamos, um novo sistema social que talvez, neste sentido seja, mais agradável ou mais pacifico ou mais criativo ( para nosso cliente ou grupo de clientes)."


Christine Blumenstein Essen - Áustria - É assistente social, psicoterapeuta, consultora sistêmica, supervisora e “coach”. Professora e formadora da Terapia Sistêmica na Áustria e diversos países incluindo o Brasil. Membro fundador do APSYS - Institut für Systemische Praxis - https://apsys.org
Em São Paulo realiza treinamentos pelo Espaço Conexão Sistêmica - https://www.conexaosistemica.com.br/