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sábado, 13 de maio de 2017

O dia em que minha mãe faleceu...





"The day my mother died I wrote in my journal, "A serious misfortune of my life has arrived." I suffered for more than one year after the passing away of my mother. But one night, in the highlands of Vietnam, I was sleeping in the hut in my hermitage. I dreamed of my mother. I saw myself sitting with her, and we were having a wonderful talk. She looked young and beautiful, her hair flowing down. It was so pleasant to sit there and talk to her as if she had never died. When I woke up it was about two in the morning, and I felt very strongly that I had never lost my mother. The impression that my mother was still with me was very clear. I understood then that the idea of having lost my mother was just an idea. It was obvious in that moment that my mother is always alive in me.

I opened the door and went outside. The entire hillside was bathed in moonlight. It was a hill covered with tea plants, and my hut was set behind the temple halfway up. Walking slowly in the moonlight through the rows of tea plants, I noticed my mother was still with me. She was the moonlight caressing me as she had done so often, very tender, very sweet... wonderful! Each time my feet touched the earth I knew my mother was there with me. I knew this body was not mine but a living continuation of my mother and my father and my grandparents and great-grandparents. Of all my ancestors. Those feet that I saw as "my" feet were actually "our" feet. Together my mother and I were leaving footprints in the damp soil.

From that moment on, the idea that I had lost my mother no longer existed. All I had to do was look at the palm of my hand, feel the breeze on my face or the earth under my feet to remember that my mother is always with me, available at any time."

  Thich Nhat Hanh, in "No Death, No Fear”.

"O dia em que minha mãe morreu eu escrevi em meu jornal: "Um grave infortúnio chegou à minha vida". Eu sofri por mais de um ano após o falecimento de minha mãe. Mas uma noite,  nos planaltos do Vietnã, eu estava dormindo na cabana em meu eremitério. Sonhei com minha mãe. Eu via a mim mesmo sentado com ela e nós tivemos uma conversa maravilhosa. Ela parecia jovem e bela, seu cabelo fluindo para baixo. Foi tão agradável sentar lá e conversar com ela como se ela não houvesse morrido. Quando eu acordei eram aproximadamente duas horas da manhã e me senti forte como se nunca houvesse perdido minha mãe. A impressão de que minha mãe ainda estava comigo era muito clara. Compreendi então que a ideia de ter perdido minha mãe era apenas uma ideia. Era óbvio para mim naquele momento que minha mãe sempre esteve viva em mim. 

Abri a porta e fui para fora. Toda encosta estava banhada na luz da lua. era uma colina coberta com plantas de chá, e minha cabana estava posicionada detrás de um templo, até a metade deste. caminhando vagarosamente na luz da lua pela fileiras de plantas de chá percebi, que minha mãe ainda estava comigo. Ela era a luz da lua  me acariciando como ela havia feito tantas vezes, de forma muito delicada, doce...maravilhoso! Toda vez que meu pé tocava a terra eu sabia que minha mãe estava comigo. Eu sabia que este corpo não era meu mas sim a vivida continuação de minha mãe e de meu pai, de meus avós, e de meu bisavós. De todos meus ancestrais. Este pé que eu via como "Meu" pé era na realidade "nosso" pé. Juntas minha mãe e eu estávamos deixando pegada no solo úmido.

Deste momento em diante aquela ideia de que eu havia perdido minha mãe não existia mais. Tudo o que eu precisava fazer era olhar para a palma de minha mãe, sentir a brisa em minha face ou o chão no qual pisava para lembrar que minha mãe sempre estava comigo, disponível a qualquer momento."

Texto de Thich Nhat Hanh, no " Sem morte, Sem medo"

Tradução livre do inglês por René Schubert

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