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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Nutrição e Constelação Familiar



Nutrição Sistêmica: a filosofia da Constelação Sistêmica Familiar aplicada à ciência da nutrição



Esse trabalho, que denomino Nutrição Sistêmica, é fruto de seis anos de estudo e observação. As descobertas que fiz ao observar os casos que atendia do ponto de vista sistêmico trouxeram mais clareza ao meu trabalho e possibilitaram-me integrar as áreas da Nutrição e das Constelações Sistêmicas Familiares na forma como escrevo e oriento as famílias. Por uma questão ética, quando um cliente me procura como nutricionista eu não facilito uma Constelação Familiar.  Conforme os clientes conhecem esse trabalho e me procuram com esse objetivo, eu a realizo. Atuo separadamente conforme a demanda do cliente, mas o meu olhar e minha forma de atuar são sempre integrados.

A alimentação é uma área complexa, pois envolve aspectos fisiológicos, bioquímicos, hormonais, psicológicos, sociais, culturais, políticos, econômicos e geográficos; crenças, vínculos afetivos, lealdades invisíveis, entre outros.  
Muitas vezes a orientação nutricional não é eficaz e não gera a mudança de comportamento, pois o que o cliente relata é apenas o sintoma e não a causa do problema. 

A Constelação Sistêmica Familiar é uma filosofia que nos permite olhar para o essencial, para a dinâmica oculta que está por trás das queixas. Segundo Bert Hellinger - filósofo, pedagogo, teólogo, psicanalista alemão e criador desse trabalho - "o essencial é simples" e "no essencial temos tudo". 

A base dessa filosofia são as ordens do amor: 1) pertencimento -  todo indivíduo tem o direito de pertencer ao seu sistema, 2) hierarquia/ordem - ordem de precedência (aquele que veio primeiro tem precedência sobre o que veio depois), a ordem de chegada e o lugar do indivíduo na vida, 3) equilíbrio, para que as relações fluam é preciso que haja equilíbrio entre o que se dá e se recebe.  

Somos todos parte de um grande sistema. O núcleo familiar é um fractal dos demais sistemas que o compreendem. Estamos conectados e nossos comportamentos são influenciados diretamente pela cultura, crenças, valores, hábitos, traumas e medos que regem o sistema no qual estamos inseridos. Seguimos os padrões do meio em que vivemos pelo direito de pertencer – até acessarmos essa consciência e a liberdade de individuação.

Uma criança que nasce em uma família que todos bebem refrigerante irá beber refrigerante também. A criança segue o exemplo dos pais por amor e lealdade. Nesse caso, é muito confuso para ela ouvir de um nutricionista ou médico que refrigerante faz mal à sua saúde e poderá lhe prejudicar, pois internamente ela sente: “Meus pais bebem e me oferecem refrigerante. Então, meus pais querem o meu mal?” É preferível acreditar que os profissionais estão errados do que pensar que os pais querem seu mal. Outra possibilidade de comportamento diante desse exemplo é essa criança desejar ser o oposto dos pais. Nesse caso ela não irá consumir o refrigerante porque quer ser melhor que eles, pois os julga errados. Apesar de parecer favorável do ponto de vista nutricional, essa dinâmica também está em desequilíbrio, pois ao julgar os pais ela se considera acima e melhor do que eles, com isso a criança sai do seu lugar de filha. Como conseqüência no comportamento alimentar ela poderá futuramente fazer restrições alimentares severas, tornar-se muito rígida com a alimentação e viver em conflito por medo de ser como sua família.

O hábito alimentar da criança é consequência do meio em que está inserida, do que lhe é oferecido e ensinado a gostar. Atender uma criança significa olhar para todo seu sistema familiar. Se as orientações nutricionais são direcionadas apenas a ela, segui-las a diferencia dos demais familiares e desperta uma sensação de estar sozinha, de não fazer parte. Transgredir o sistema de origem gera culpa e medo de não pertencer. Para uma criança mudar o hábito alimentar de forma eficaz é necessário que os pais tenham o mesmo discurso e comportamento. É preciso que todos acreditem e vivam a mesma verdade.

Em uma família de pessoas com excesso de peso, que possuem hábitos alimentares inadequados, a causa da continuação do problema nas próximas gerações não necessariamente é genética. Fatores ambientais, como hábitos alimentares, podem mudar o funcionamento dos genes, sem alterar a sequência do DNA, e serem herdados pelas próximas gerações. A alteração não genética no genoma é definida como epigenética.

Essa é uma informação de grande relevância do ponto de vista sistêmico, pois da mesma forma que o genoma pode ser alterado de forma negativa, ele também pode ser modificado de forma positiva. Isso devolve ao indivíduo a responsabilidade e a força para mudar sua condição.

Aplicar a filosofia da constelação sistêmica familiar à ciência da nutrição nos permite olhar para o que está vinculando o individuo ao comportamento alimentar inadequado, qual é a ordem do amor que está em desequilíbrio e onde é preciso atuar.

A Nutrição Sistêmica não substitui as demais áreas da nutrição e sim as complementa. A eficácia dessa metodologia está em devolver à pessoa a responsabilidade e a autonomia pelas suas escolhas, comportamentos e resultados.

Os profissionais são facilitadores do processo e, para isso, precisam ter a mesma consciência sobre seus comportamentos. Para gerar uma mudança no outro é preciso SER, não basta ter o conhecimento. A consciência nos permite ser um exemplo congruente do discurso e inspiração para mudanças que queremos no mundo. 

"A alimentação é um ato de amor próprio" Renata Pinotti




Referências bibliográficas:
Hellinger, B. Ordens do Amor: um guia para o trabalho com as Constelações Familiares. São Paulo: Cultrix, 2007.424p.
Hellinger, B. Ordens da Ajuda. 3 ed. Goiânia: Atman, 2013. 248p.
Franke, U. Quando fecho os olhos vejo você: As Constelações Familiares no atendimento individual. Patos de Minas: Atman, 2006.175p.
Pinotti, R. Guia do bebê e da criança com alergia ao leite de vaca. São Paulo: Gen/Ac Farmacêutica, 2013.150p.



 Renata Pinotti
Nutricionista do Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto
Nutricionista graduada pelo Centro Universitário São Camilo (2000)
Especialista em Nutrição Hospitalar pelo ICHC-FMUSP (2002)
Mestre em Nutrição Humana Aplicada- PRONUT -USP (2006)
Facilitadora em Constelação Sistêmica e Familiar segundo Bert Hellinger (1ª formação pelo ISPAB - Munique/Conexão Sistêmica de 2011 a 2013, 2ª formação pelo Instituto Hellinger Sciência - em andamento).
Doula - Grupo de apoio à maternidade ativa (2014) 
Tutora Estadual do Método Canguru - Ministério da Saúde (2016).

e-mail: repinotti@gmail.com       
Consultório: Rua do Seminário, 1982 – São José do Rio Preto (17) 99660 7878
Instagram: @alegria_alimentar 



2 comentários:

  1. Excelente !!! Parabéns Renata Pinotti !!! Um grande olhar de amor para si mesmo com o olhar sistêmico !!! A abordagem sistêmica é perfeita no contexto de nutrição, obesidade e má alimentação! Gratidão !

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  2. Re, minha Xara! Há mais de 10 anos acompanho seu trabalho e agora mais ainda. Estou amando aprender sobre constelação familiar e sou grata a você por isso!

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