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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Os maus e os bons na família

 


"Há algo mais a ser levado em conta. Algumas pessoas são excluídas de um sistema porque se diz que elas não são dignas, por exemplo, alguém que é jogador ou alcoólico, homossexual ou criminoso. Sempre que uma pessoa é excluída desta forma, por alguns dizerem “eu tenho mais direito a pertencer do que ele ou ela”, o sistema fica perturbado e faz pressão para que haja uma reconstrução ou reparação do mesmo. Porque aquele que foi separado ou excluído desta maneira, será imitado numa geração mais à frente por um descendente, sem que este se dê conta. Este descendente vai sentir-se como o excluído se sentiu, comportar-se como ele se comportou e frequentemente acabar como ele.

Para isto há uma única solução. É necessário voltar a incluir no sistema aquele que foi considerado mau e reconhecer que ele tem o mesmo direito de pertencimento que os outros. E há que dizer-lhe: “cometemos uma injustiça contigo e sentimos muito por a  termos feito”. Imediatamente será possível ver que é justamente da pessoa que tinha sido excluída que emana uma força grande e positiva para os descendentes. Essa pessoa torna-se uma espécie de patrono para eles.

Nas constelações familiares dá-se a curiosa observação de que em relação ao bem e ao mal, aquilo que se manifesta é geralmente o inverso daquilo que se apresenta. Aquele que é indicado como sendo o bom frequentemente se verifica ser o mau e aquele que é considerado o mau verifica-se que é o bom, de quem emana uma força positiva. Por esse motivo, só é possível fazer terapia sistêmica quando os excluídos e os maus são tomados no coração e tratados com respeito. Estranhamente, no instante em que o faço ganho a confiança de todos os outros membros do sistema. Instintivamente sentem confiança em mim. Contudo, se eu me nego àquilo que ouço e digo ao cliente: agora diz ao teu pai ou ao teu tio de uma vez por todas que ele é um canalha, ou ao pai que abusou de ti que ele é um sujeito mau, já ninguém do sistema sente confiança no terapeuta.

As soluções conseguem-se somente mediante o amor. Uma vez compreendidas estas dinâmicas, a única coisa que se pode fazer é trabalhar colocando o amor a frente"



Bert Hellinger In “El Manancial no Tiene que Preguntar por el Camino“.
Editora: Alma Lepik, Buenos Aires
Tradução do castelhano – Eva Jacinto

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