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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Parentificação


( Exposição Kindsköpfe)

Em uma família os pais fornecem orientação, aconselhamento e apoio emocional para as crianças. No entanto, alguns pais esperam que seus filhos ouçam suas queixas sobre a vida, dando-lhes conselhos sobre o que fazer, ou cuidando de suas necessidades emocionais de amor e conforto. Isso coloca a criança no papel de pai ou mãe, violando o limite de gerações. De acordo com estudos de 2004, as crianças que sofrem este tipo de parentalidade podem desenvolver um padrão ao longo da vida de sempre cuidar de outras pessoas e nunca cuidar de si mesmas. Quando mais tarde tiverem seus próprios filhos, alguns deles podem voltar-se para os seus filhos pedindo o apoio que nunca receberam de seus pais, repetindo desta maneira o ciclo vicioso, um padrão familiar repetitivo.

Os terapeutas familiares denominam essa inversão de papéis como parentificação.

A parentificação começa de uma forma positiva, ou seja, pela experimentação de um dos instintos que mais relevância teve para a evolução das espécies ditas “sociais”, isto é, o de proteger outro ser. É por isso adaptativo que a criança possa experimentar-se como “capaz de proteger e transmitir segurança”. A perigosidade da parentificação é quando essa experiência se transforma numa inversão total dos papeis, certificando-se a criança da sua capacidade para proteger, mas privando-se da sua capacidade para “ser protegido”.


Reflexão de Bert Hellinger sobre a temática:

"Quando os pais são carentes emocionalmente, convém voltar-se um para o outro ou para seus próprios pais. Quando eles recorrem aos filhos para se sentirem confortados ou tranquilizados, os papéis e funções da família são invertidos. Isso é parentificação - filhos assumindo posição de pais para com seus próprios pais. E eles não conseguem se proteger contra semelhante processo. Todos sofrem se a família adota um esquema em que os filhos se sentem responsáveis pelos pais e os pais esperam dos filhos um comportamento de parceiros adultos. Os filhos passam a gozar de uma importância exagerada e inadequada na família e estão destinados a fracassar porque nenhum filho é capaz de preencher o vazio e a necessidade emocional do pai ou da mãe. Os pais, por sua vez, não podem esquivar-se de fazer aos filhos o que na verdade não gostariam de fazer. De nada valem argumentos morais e justificativas lógicas; só o que vale é a experiência concreta do amor. O fluxo do amor pode sentido, nunca legislado: os filhos sabem se estão ou não em consonância com os pais".

 


Bert Hellinger

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