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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Artigos introdutórios sobre Constelação Familiar em Revistas de grande Circulação

Constelação Familiar Sistêmica: a Terapia que mudou a minha vida!

"Constelação Familiar Sistêmica é uma terapia criada pelo psicanalista alemão Bert Hellinger, que ocorre de forma energética e fenomenológica.  A terapia acontece em um local onde haja espaço para um grupo de pessoas e sua movimentação. Há um terapeuta que comanda a sessão, chamada de Constelação. Pouco é falado pelo terapeuta.  E menos ainda pela pessoa constelada (o paciente). A sessão ocorre em forma de movimentos: a energia surge do inconsciente do constelado e um grande fenômeno acontece.
O terapeuta pergunta ao paciente o que ele veio buscar ali hoje. O paciente responde, por exemplo, que precisa resolver um problema em seu casamento. O terapeuta solicita que a pessoa constelada escolha uma pessoa do grupo presente para representá-lo. A pessoa então escolhe alguém e posiciona a mesma no espaço que se tem para a constelação, denominado como campo (geralmente uma grande sala vazia, rodeada de pessoas sentadas à sua volta). O constelado se senta. Em segundos a pessoa que foi colocada no campo como representante começa a se movimentar. Esta pessoa simplesmente sente vontade de agir de uma determinada forma e o faz. Cada gesto tem um significado. E o terapeuta pode ler através desses gestos, os passos seguintes a serem executados. Mais pessoas vão sendo escolhidas, uma a uma, para representar a situação da pessoa constelada. No exemplo citado, se escolheria mais um representante para o cônjuge. Em seguida, representam-se os pais para o constelado e seu cônjuge. Filhos, irmãos e outros podem ser também representados. A ordem das representações e quem acabam sendo representados é sempre orientado pelo terapeuta.
O que ocorre é que os representantes no campo da constelação acabam agindo como atores mágicos, atuando como os personagens da vida da pessoa constelada. Podem-se ver pessoas chorando, gritando, dançando, falando, como se tivesse existido ali um roteiro criado e estudado da vida daquela pessoa. É algo tão real, que chega a parecer mágico.
Uma constelação pode durar trinta minutos, uma hora ou até uma hora e meia. Não existem regras. Existe um movimento energético que todos sentem e o terapeuta além de sentir, interpreta e guia. Através dos acontecimentos mostrados pelos representantes, o constelado vê a sua própria vida passando pelos seus olhos, mas sob uma nova perspectiva: do todo! A constelação familiar sistêmica leva sempre em consideração a importância dos membros da família: pais, avós, irmãos, filhos e netos, além de cônjuges, filhos adotados e quem mais pertencer aquele ciclo familiar. Ninguém nunca pode ser excluído. Ou veem-se as consequências de tal exclusão no mesmo meio familiar.
É possível se descobrir segredos através de uma constelação familiar, uma vez que toda a verdade que cerca a vida de uma pessoa e sua família está impregnada em seu inconsciente. E aí então se manifesta. Por exemplo: pode existir numa família uma criança que foi adotada, que não é legítima, mas que não foi apresentada como tal. Numa constelação, esta informação se revela. Bem como outras.
A constelação familiar é uma terapia intensa, surpreendente. Chega a ser chocante, tamanha verdade que se vê e o pouco que se compreende em sua manifestação. Não apenas a pessoa constelada se beneficia em sua sessão, mas todos os representantes que participam da terapia, pois os representantes acabam sempre sendo escolhidos energeticamente pelo inconsciente do constelado, de forma que aquela pessoa sempre terá alguma identificação em si mesmo com o que virá a representar no campo. Esta também se beneficia: se cura.
Segundo Bert Hellinger, não devemos tentar entender o que acontece numa constelação. Quando se tenta compreender, de alguma forma interrompemos ou atrapalhamos a energia que está no comando da situação. Como seres humanos, confusos e tão pequenos, afirmo que é muito difícil ver tamanha manifestação e não tentar compreendê-la. Mas aos poucos aprendemos a apenas aceitá-la e não mais entendê-la.
Quando uma sessão acaba, pode ser que a mesma tenha indicado uma tarefa a ser realizada, por exemplo: conversar com o cônjuge sobre algo do passado, que transformou aquela união em algo ruim. Ou pode ser que nada mais precise ser feito. A energia liberada ali continua se manifestando. E as mensagens trocadas naquele momento agem como se realmente tivessem acontecido com as pessoas reais ali representadas.
Quando eu mesma fiz a minha primeira constelação, fiquei em estado de choque por alguns dias. Descobri alguns segredos de mim mesma e de demais. Após duas semanas, comecei a perceber grandes mudanças em mim. Com o passar do tempo, percebi que as pessoas envolvidas em minha sessão também haviam começado a mudar em relação a mim e as minhas questões.
A mudança foi tamanha que constelei mais duas vezes, de meses em meses. Esta não é uma terapia que pode ser feita regularmente como a pessoa a ser constelada. Tem que se dar tempo ao tempo, literalmente. Como representante pode-se participar sempre.
Meses após minhas constelações, vi mudanças que nunca, nem como escritora, havia sonhado. Nem em meu pico mais alto de criatividade poderia ter inventado tamanhas reviravoltas em minha vida. Estas que me levaram a um estágio melhor de vida e consciência: autoconhecimento e aceitação. Resignação diante daquilo que é, do que não se muda.
Muito há para se falar da Constelação Familiar Sistêmica. Apesar de adepta à terapia, ainda sinto que apenas duas páginas para se falar do assunto é extremamente pouco. Mas enquanto não me especializo no assunto para a escrita do merecido e sonhado livro a respeito, fica aqui o meu testemunho e desejo, de que todos saibam da existência e poder desta viva terapia.
A Constelação Familiar Sistêmica, a meu ver, é a mais intensa, forte e viva terapia nos dias atuais. Para alguns pode ser que seja intensa e real demais. Ainda assim, vale a pena conhecer e falar com o terapeuta a respeito. E depois, talvez, se decidir por ela!" 

Fonte: Artigo de Carolina Vila Nova para o site Conti Outra - http://www.contioutra.com/constelacao-familiar-sistemica-a-terapia-que-mudou-a-minha-vida/

 



Relatividade da teoria: Como funciona a Constelação Familiar, uma terapia inventada pelo alemão Bert Hellinger que promete curar males físicos e espirituais em interpretações teatrais de menos de uma hora.

A situação: uma menina perde o irmãozinho, cresce, casa-se e tem um filho que, na adolescência, fica viciado em drogas. A explicação: quando um membro da família morre, é excluído ou tratado com desrespeito, isso cria problemas que vão se manifestar uma ou mais gerações adiante. Assim funciona o mecanismo de descoberta e superação preconizado pela Constelação Familiar, método terapêutico desenvolvido por Bert Hellinger, um ex-padre alemão, hoje com 83 anos, que usa elementos da psicanálise, em especial da vertente junguiana, das técnicas de psicodrama e de algumas convicções de cunho muito pessoal sobre a origem de problemas físicos e psicológicos. Praticada no Brasil há doze anos, a Constelação começou como um método exótico, mas vem ampliando atividades, sobretudo em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Seu pilar central é a crença de que muitos problemas da vida presente de uma pessoa estão relacionados com a forma como seus pais e antepassados em geral lidaram com exclusão, doença e morte. "Bert estudou a psicanálise e percebeu que havia questões que não estavam no nível da consciência, uma vez que elas haviam sido criadas antes do nascimento. Por isso, para muitos pacientes, a teoria psicanalítica não ajudava em nada", diz o discípulo e médico holístico Renato Bertate. "Entre as gerações de uma família, há um equilíbrio de forças que faz com que os acontecimentos da vida de um antepassado reverberem na vida dos mais novos." 

Como sempre acontece com métodos alternativos que prometem soluções rápidas, a Constelação é veementemente criticada na esfera das disciplinas consagradas. "Trata-se de um trabalho apenas esotérico", diz Alexandre Saadeh, psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Não é brincadeira mexer com conteúdos da vida familiar. É preciso que o paciente tenha um acompanhamento psicoterápico especializado para enraizar suas questões, e isso simplesmente é descartado nas constelações. Muitas das pessoas que aplicam o método não são psicólogos nem psicanalistas."

O método propõe a cura de males físicos complexos, como psoríase e abortos naturais, e emocionais, como síndrome do pânico e depressão. Tudo acontece em uma única sessão de cerca de uma hora, com um grupo de pelo menos quinze pessoas que acreditam na proposta e são convidadas a participar. Elas ficam dispostas em círculo, num salão. O constelado paga 350 reais e expõe seu problema à pessoa treinada no método, o "facilitador", em uma frase muito breve, como "Eu não me relaciono bem com meu pai" ou "Penso muito em suicídio". Em seguida, escolhe pessoas do grupo para representar no meio do círculo, em uma espécie de teatro, seus pais, irmãos e ele mesmo. O facilitador vai pedindo informações sobre a família e, à medida que surgem novos membros considerados importantes por ele (um tio alcoólatra, uma avó depressiva), outros do grupo são arregimentados.

 Desenvolve-se assim uma encenação da história familiar, não necessariamente baseada na realidade, a partir de interpretações do facilitador e improvisações dos encenadores dos personagens. Acaba, em geral, com "pais" e "filhos" se perdoando e aceitando. O clima é muito emocional. Os participantes se abraçam, choram e até passam mal. "Se o constelado entende e aceita o que aconteceu com seus ancestrais, sua vida se transforma. A relação com os filhos melhora, e ele pode até ter avanços na vida profissional", diz a facilitadora Maristela de André, que é economista e engenheira de formação – o método pode ser conduzido por pessoas de qualquer profissão, desde que façam um curso de um ano e meio aplicado por alguém treinado por Hellinger em pessoa. Existem cerca de 200 dessas pessoas atualmente no Brasil. "A técnica se utiliza de recursos empobrecidos do psicodrama. Além disso, pedir perdão faz parte de uma prática religiosa, e não terapêutica", ressalva Márcia Batista, professora de psicodrama da Pontifícia Universidade Católica, de São Paulo. A despeito das objeções dos especialistas, muitos constelados dizem que sua vida melhorou. O consultor de empresas Marcelo Victorino, 40, de São Paulo, buscou a cura de fortes dores nas costas. Na sessão, contou que seu pai brigava muito com sua mãe. "Durante o trabalho, a facilitadora convocou personagens para representar meus quatro avós. Descobri que os avós paternos, que eram árabes, não aceitavam o casamento do meu pai", relata. Victorino continua a sentir dores, mas acha que agora sabe "por que elas existem". A publicitária Renata Feldman, de 35 anos, também identificou em experiências familiares a origem dos ombros doloridos: "Na sessão, lembrei de um ex-padrasto que maltratou muito a minha mãe e assumi que tenho uma péssima relação com meu irmão. A facilitadora me fez entender que carrego no corpo a vivência dessas dores".

Hellinger já esteve três vezes no Brasil e virá de novo em maio do próximo ano para um seminário que já tem 100 inscritos. É, por motivos óbvios, um personagem intensamente polêmico. Além de seu método ser considerado esotérico e patriarcal, também é acusado em sites na internet de simpatizar declaradamente com Adolf Hitler. "Bert apenas diz que ninguém é superior a ninguém e que não somos melhores que Hitler. Ele acredita numa dinâmica de gerações e prega que os que condenarem Hitler, que o excluírem, jamais terão paz em sua vida", declara Mimansa Erika Farny, alemã radicada em Goiás, discípula direta de Hellinger e responsável pela introdução da terapia no Brasil. "Nossa técnica trilha o mesmo caminho da homeopatia, que sempre foi hostilizada e agora é aceita", acredita. "A Constelação pode até ser vista como um jeito novo de terapia familiar. Mas não tem fundamentação sólida, nem décadas de experiência acumulada, como a psicanálise", rebate a terapeuta de família Lidia Aratangy. 

Fonte: Revista Veja - Comportamento -  Edição 2126 / 19 de Agosto de 2009 - por Juliana Linhares - http://veja.abril.com.br/190809/relatividade-teoria-p-118.shtml





Faça o amor dar certo - Amar e ser amado é o que todos desejamos, mas nem sempre conseguimos. Conheça o método do terapeuta Bert Hellinger para refazer o fluxo do amor

O desejo de amar e ser correspondido é universal. O teólogo e terapeuta alemão de Bert Hellinger, 78 anos - autor do livro Para que o Amor Dê Certo (ed. Cultrix) -, desenvolveu um método para que o seu amor tenha mais chances de dar certo.

Há mais de três décadas, ele trabalha fazendo atendimentos individuais e para casais e sistematizou o método chamado constelações familiares, que busca primeiramente restabelecer o fluxo do amor entre pai, mãe e irmãos para depois rever os laços com parceiros amorosos.

Hellinger acredita um novo amor só poderá ser bem-sucedido se houver o reconhecimento de tudo o que nos foi dado pelos demais relacionamentos. A primeira relação amorosa tem influência sobre todas as outras. Segundo o terapeuta, a rejeição consciente ou inconsciente de amores passados bloqueia a força de um novo amor. "As próximas relações serão mais enriquecedoras se você levar a sua experiência junto do que se você for vivê-las como se fosse a primeira."

 O respeito à individualidade

O respeito ao espaço de cada um é outro aspecto fundamental para o sucesso de um relacionamento. Para amar, é preciso aceitar duas solidões: a sua própria e a do outro. "Numa relação deve haver respeito por segredos. É ridículo querer que se conte tudo ao outro. Não se pode agir como um intruso na alma do outro, mesmo em relacionamentos duradouros."

 Sexo é essencial

Além do amor e da disponibilidade para a convivência, o terapeuta cita o sexo como o terceiro elemento essencial na relação de um casal. Para ser completo, o sexo tem de ser aprendido, exercitado e combinado ao amor. "Muitas vezes, quando as pessoas fazem sexo, elas estão mais em contato com elas mesmas do que com o outro. Quando o amor também atua, elas são capazes de ficar juntas e partilhar uma vida comum, o que é algo bastante diferente", diz o terapeuta.

Não fale mal de seus pais

Muitos dos problemas de relacionamento que acontecem no presente têm a ver com a forma como nossos pais, avós e bisavós lidaram com a exclusão, a doença, a morte ou o esquecimento de entes muito próximos. Essa é a base da terapia das constelações familiares, de Bert Hellinger.

Entretanto, Hellinger não aceita nenhuma queixa aos pais em seu trabalho terapêutico. "Você pode olhar para seus pais de diferentes formas. Eles não são melhores ou piores do que os outros. O crescimento só poderá ocorrer com certas resistências e dificuldades. Quando um paciente reclama de seus pais, está fazendo-os responsáveis por sua própria incapacidade", nota.

 Como acontece a sessão

Primeiro, o paciente coloca a questão que quer resolver e escolhe pessoas do grupo para representar seus pais, irmãos e outros membros da família. O paciente fica de fora e tem a oportunidade de observar a situação de conflito que determinou o bloqueio do amor.

"Os participantes respondem a perguntas simples do terapeuta. Elas revelam a raiz do problema sem interpretá-lo. Assim os papéis familiares são reposicionados seguindo uma ordem em que o amor possa fluir livremente, em que cada um retome seu lugar. O trabalho não é focado em questões psicológicas, mas nos padrões de comportamento gerados em determinado sistema familiar", completa Renato Shaan Bertate, médico paulista, especialista nessa linha terapêutica.

As sessões são feitas em workshops nos fins de semana. A resposta a cada questão pode durar de 15 minutos a duas horas e não há a necessidade de acompanhamento posterior. "A redefinição dos papéis e as mudanças necessárias acabam acontecendo de forma natural e beneficiam todos os envolvidos afetivamente na história", conclui Renato.

Fonte:  Publicado em 27 de Janeiro de 2010 na Revista Bons Fluidos - por Liliane Oraggio / Fernando Eichenberg - http://casa.abril.com.br/materia/faca-o-amor-dar-certo


 Herança comportamental - Problemas e conflitos atuais podem ter origem no histórico familiar




Dificuldade financeira crônica, que nem o melhor dos salários parece resolver; insatisfação profissional constante, que perdura mesmo diante da mudança de emprego; bloqueio emocional persistente, que te faz encerrar qualquer tipo de relacionamento ao menor sinal de envolvimento afetivo. É bem provável que você já tenha vivido alguma situação assim, aparentemente inexplicável, mas que segue por anos a fio, sem que consiga entender o porquê e nem como ela volta a acontecer.

É bem possível, também, que o problema não tenha necessariamente uma relação direta com você. Sim, é exatamente isto o que defende um corrente de profissionais adeptos à linha de pensamento do filósofo e psicoterapeuta alemão Bert Hellinger. Para ele, alguns dos nossos obstáculos atuais são uma herança de nossos antepassados, que assumimos inconscientemente. Ou seja, aquela dificuldade que você não consegue decifrar, na verdade, é uma recorrência de algo mal resolvido ou não superado por algum membro da família – e você pode estar condenado a ter de carregar o mesmo fardo.

“Hellinger, após anos de observações e aprendizados, percebeu que existiam padrões de comportamentos que se repetiam ao longo das gerações. Segundo ele, a consciência nos vincula à nossa família e até a outros grupos. Mesmo inconscientemente, sentimos como exigência e obrigação para nós o que outros membros do grupo sofreram ou ficaram devendo uma resolução”, explica Delmar Franco, gestora do Instituto Evoluir.

Batizado de Constelação Familiar, o método psicoterapêutico criado por Hellinger tem uma abordagem sistêmica fenomenológica, com base filosófica.

“O princípio da Constelação Familiar é a fenomenologia. Significa estar aberto a compreender algo que está por trás do fenômeno sem julgamentos, livre de intenções e medo. Outro princípio é a ordem do amor, uma vez que é preciso amar as pessoas cuja verdade quero conhecer”, explica Irene Cardotti, psicoterapeuta e especialista em Constelação Familiar.

Como um retrato vivo, a constelação revela bloqueios e vínculos secretos, a fim de encontrar uma solução nova e libertadora. “O objetivo da Constelação Familiar é solucionar questões de ordem afetiva, financeira, familiar e social que estejam impactando negativamente a vida das pessoas, transferindo-se de geração a geração”, resume a coaching Selma Amaro.

“Através dos trabalhos das Constelações, podemos entender como as ações e destinos de nossos antepassados podem influenciar a nossa vida atual, causando problemas de saúde, dificuldades econômicas ou conflitos em nossos relacionamentos familiares e afetivos”, defende Selma.

Como funciona?

 Cada constelação lança luz sobre o espaço desconhecido onde se ocultam fatos e sentimentos adotados de outros membros da família, cuja herança traz reflexos negativos sobre as relações efetivas e a saúde.

 O atendimento pode ser individual ou em grupo. Individualmente, utilizam-se figuras ou bonecos para representar os familiares. Nos grupos, os participantes são convidados a assumirem os papéis dos membros da família de um determinado paciente que está trabalhando a sua Constelação Familiar.

 Segundo os especialistas, no decurso de uma Constelação Familiar os membros que representam o papel dos diferentes integrantes da família de outro participante expressam com autenticidade os sentimentos e sensações desses antepassados.

 Para o biólogo inglês Rupert Sheldrake, isso é possível porque a transmissão hereditária não se propaga só através dos genes, mas também através de campos morfogenéticos que encerram uma espécie de memória coletiva da espécie. Cada indivíduo da mesma espécie enriquece o seu campo e conecta-se com essa memória.

De acordo com o cientista, os campos mórficos são estruturas que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo.

Por isso, a técnica da Constelação Familiar seria verdadeiramente capaz de decifrar enigmas, tais como a razão da existência de sentimentos, sensações, pensamentos e situações conflitantes, que não condizem com a realidade atual.


Temas que podem ser solucionados com a Constelação Familiar:

  • Dificuldade de se relacionar;
  • Problemas financeiros;
  • Dificuldade de lidar com perdas;
  • Indecisão profissional;
  • Doenças em geral;
  • Dependência química ou comportamento autodestrutivo;
  • Conflito (entre pais e filhos, casais, sócios, etc.);
  • Dificuldade de comunicação;
  • Comportamento compulsivo, fobias, vícios e obsessões;
  • Depressão;
  • Sentimento de “não pertencer“;
  • Traumas. 

Fonte: Revista SuaEscolha : Herança comportamental - Problemas e conflitos atuais podem ter origem no histórico familiar (in http://www.suaescolha.com.br/portal/comportamento/181-heranca-comportamental.html )







No fluxo do coração - É possível desmanchar os nós causados por histórias de família mal resolvidas e refazer laços. Apaziguados com a nossa trajetória, podemos seguir plenos na direção dos nossos verdadeiros propósitos
 
Rogério cansou de abrir e fechar negócios. Parece que em suas mãos os empreendimentos murcham. Já Matilde coleciona uma sucessão de chefes intransigentes. Diariamente tenta atravessar muralhas. Pedro, por sua vez, vive às turras com o pai. Enquanto o problema crônico de Juliana é que, desde a adolescência, só se relaciona com parceiros do tipo demolidores – especialistas em depreciá-la.

A vida de muita gente é marcada por situações que se repetem, cutucando aquele mesmo ponto dolorido. Vira e mexe caímos na mesma cilada, como se uma força desconhecida disparasse dentro de nós a tecla repeat. Do ponto de vista da psicologia, caímos no mesmo buraco porque agimos em função de complexos inconscientes. “A memória de vivências que trouxeram grande sofrimento para a pessoa, que no momento não tinha condições de lidar com aquilo, é aparentemente ‘apagada’ da consciência, mas fica no arquivo inconsciente”, explica a psicoterapeuta paulista Cristiane Marino. Sempre que algum evento externo tiver a menor semelhança com aquela determinada memória, esse conteúdo transborda, como para lembrar que continua vivo e atuante. A tendência é continuar assim até cair a ficha de que é preciso interromper esse ciclo vicioso. E a melhor maneira de desatar esses enroscos é iluminando as partes nebulosas de nós mesmos através de algum trabalho terapêutico. Sob a perspectiva das constelações familiares (nome derivado do inglês constellate, no sentido de posicionar certos elementos numa dada configuração que torne a questão mais clara aos olhos de todos), os nós ocultos que governam nossas vidas, sedimentando padrões negativos, são chamados de emaranhamentos. E podem ser desfeitos, um a um. 

Segundo o criador do método, o ex-padre e terapeuta alemão Bert Hellinger, que completa 90 anos em dezembro, esses emaranhamentos acontecem quando transgredimos três leis fundamentais dos relacionamentos humanos bagunçando a ordem do amor. São elas: precedência – sempre respeitar quem chegou primeiro (pais são maiores que fi lhos, inclusive quando os progenitores se tornam idosos. Nesse caso, os filhos permanecem menores, mas, ao mesmo tempo, precisam atender as necessidades dos pais com zelo e humildade); pertencimento – todos devem se sentir parte do sistema (ao invés de evitar o convívio com algum parente porque destoam de nosso estilo de vida, é importante incluí-lo); equilíbrio entre dar e receber (num casal, por exemplo, ambos devem nutrir a relação com cuidados e valorização recíprocos). Encontrar obstruções desses tipos no histórico familiar e trazê-las à consciência, reposicionando algumas atitudes, é o objetivo do método terapêutico. 

Para que o conteúdo inconsciente se revele, no entanto, é preciso que uma teia de relacionamentos fique explícita. Na terapia das constelações familiares funciona assim: um facilitador, em geral, terapeuta, conduz a história de um cliente dentro de workshops onde se realizam várias constelações (mecanismo que joga luz naquelas situações mais emaranhadas da vida de cada um). Depois de contar o que a trouxe ali e de responder perguntas preliminares sobre seu contexto familiar, a pessoa escolhe entre os presentes no grupo aquele que irá representá-la, bem como seus entes queridos. E passa a observar a encenação (a técnica se diferencia do psicodrama porque os participantes não se manifestam livremente, apenas quando indagados pelo facilitador. Além disso, a compreensão do pano de fundo das dinâmicas familiares se baseia exclusivamente nas três leis do amor). 

Os representantes respondem, como se fossem os personagens em questão, a perguntas simples do facilitador. Exemplo: “Seus pais estão casados a muito tempo?”. E são convidados a dizer, de tempos em tempos, como estão se sentindo – se desejam rir, chorar, fazer algum movimento, se sentem dor em alguma parte do corpo etc. O surpreendente é que, na maioria das vezes, falas, sentimentos e gestos ali externados por pessoas completamente desconhecidas do constelante (a pessoa que tem uma questão para resolver) coincidem com o jeito de ser dos entes a quem se referem.

A posição dos representantes no espaço, bem como seus sentimentos e impulsos, dão pistas preciosas. “É como se eu fosse juntando as peças de um quebra-cabeça, guiada por hipóteses que vão se confirmando até chegar ao ponto central do emaranhamento”, compara a paulista Maria Izabel Rodrigues, psicoterapeuta, consultora organizacional e ministrante de cursos de formação e workshops em São Paulo e no Rio de Janeiro.

De acordo com a teoria de Hellinger, o que acontece com um membro da família inevitavelmente afeta os demais porque todos integram a mesma rede. A dificuldade de um se reflete no outro, assim como potenciais e virtudes. Por exemplo: uma pessoa fica estagnada em solidariedade a um parente que padeceu da mesma forma no passado. “É como se disséssemos: ‘Por amor a você, ficarei triste, doente ou fracassarei’. Como se quiséssemos assumir o fardo no lugar da pessoa”, explica o médico Décio Fábio de Oliveira Júnior, cofundador do Instituto Bert Hellinger Brasil Central (IBHBC) ao lado da esposa Wilma Oliveira. 

Isso ocorre porque temos a tendência a fazer pactos inconscientes com nossos antepassados, mesmo os mais distantes, nos identificando com suas dores e tentando, de alguma forma, expiá-las. Por isso, muitos repetem comportamentos destrutivos. Também são recorrentes tentativas de compensações motivadas pela culpa por alguma falta que acreditamos ter cometido. É o caso de um fi lho que se sente responsável pela tristeza da mãe e que se cobra soluções que estão muito além do seu alcance. Em ambos os casos, o problema de fundo é uma percepção distorcida da realidade. Uma vez identificado o nó, é hora de desconfundir as coisas, desmisturá-las. E de repactuar consigo mesmo algumas atitudes.

O facilitador, então, pede aos representantes que repitam frases de cura, que inspiram aceitação e gratidão por tudo o que se recebeu, do jeito que foi possível. Costuma-se dizer: “Sinto muito por não ter dado o que você precisava receber, mas isso não tem nada a ver com o meu amor por você, e sim com as minhas dificuldades”. Ou ainda, “Eu sou a fi lha e você é o pai, eu sou pequena e você é grande” (muitos são os pais e fi lhos que invertem papéis e sofrem por isso. Quando esse desequilíbrio hierárquico se revela, o facilitador pede que o constelante se sente num banco e fi que mais baixo do que seus progenitores para poder incorporar física e simbolicamente seu lugar na família.). “Após esses dizeres, a sensação de harmonia no sistema é intensa”, garante Maria Izabel. Não raro, algo que a pessoa jamais cogitou como causa do seu nó, emerge. A essa altura, o cliente é convidado a tomar o lugar do seu representante a fi m de sentir o campo harmonizado e absorver a força dele emanada (confira mais abaixo).

O fenômeno tem explicação: Você deve estar se perguntando: “Como alguém que desconhece o constelante e sua família pode fazer gestos e dizer coisas como se fosse a pessoa representada?”. Ou então: “Como eventos vividos por antepassados longínquos podem influenciar nossa vida aqui e agora?”. Ambos os fenômenos se explicam com a ajuda de duas teorias. A primeira é a Teoria dos Campos Morfogenéticos, formulada pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake, autor de Ciência sem Dogma (ed. Cultrix). O pesquisador descobriu que há uma inteligência que precede a nossa existência física e que se manifesta de maneira sutil, com forte tendência a repetir aquilo que acontece com maior frequência. “Cada vez que ocorre a repetição de um fato, esse campo aumentaria a força e a probabilidade de determinado evento ocorrer nas gerações seguintes”, diz Maria Izabel. Uma segunda explicação parte da epigenética, ciência que estuda a ação do meio ambiente e dos pensamentos sobre a biologia. Referência nessa área, o biólogo norte-americano Bruce Lipton, autor de Biologia da Crença (ed. Butterfl y), descobriu a existência de nanorradares em nossas células. Segundo o estudioso, essa microantenas captam os conteúdos da esfera inconsciente, permitindo que dados aparentemente misteriosos alcancem a consciência.

Quando desvelados e harmonizados, os fi os embaraçados das histórias dão lugar a percepções mais lúcidas dos acontecimentos, que, por sua vez, são acompanhadas de atitudes de respeito, aceitação, responsabilidade, reverência e inclusão. “Não se trata de mágica. As constelações não solucionam automaticamente todos os problemas. É preciso que a postura do cliente se modifique a partir de uma reformulação que vem do coração”, enfatiza Décio. A enfermeira paulista Ana Paula Mikulenas teve o privilégio de experimentar essa possibilidade antes do falecimento do seu pai. Os dois se reaproximaram quando ele adoeceu. “Meu pai não recebeu da mãe tudo o que gostaria e acabou me colocando no lugar dela. Então eu queria resolver tudo por ele. Após a constelação, reassumi a posição de fi lha, atendo-me a esse papel, sem interferir diretamente nas demandas do meu pai. Assim esse padrão foi gradativamente desaparecendo”, diz ela, que, desde aquele momento, passou a viver de forma mais leve e consciente. “Ao compreender as dificuldades de nossos antepassados, passamos a sentir compaixão por eles, e desse sentimento surge a aceitação das coisas como elas são, o que nos apazigua e abre caminhos”, resume o empresário José Roberto Freitas, de São Paulo. Depois de seu fi lho descobrir que era desacreditado por ele porque ele também fora desacreditado por seu pai e este por seu avô, sua vida pôde se refazer sobre bases de compreensão entre as gerações. 

Já o casal de administradores Renato e Renata Farias, também de São Paulo, aceitou a indicação da médica homeopata da família, iniciada no método, após sucessivas tentativas frustradas de gerar um fi lho. “Não tínhamos mais opções. Então, chegamos de peito aberto ao procedimento”, conta Renato. Três meses depois, bebê à vista. “Ficou claro que havia uma interrupção do fluxo do amor entre meu sogro, um militar muito severo, filho de um homem com dificuldade de demonstrar afeto, e meu marido. Na constelação, essas relações puderam ser reparadas de alguma forma”, avalia a esposa. Segundo Maria Izabel, que conduziu o processo, inconscientemente, Renato temia reviver a história paterna com seu descendente, e a gravidez não se consumava. 

Intensa e tocante, a experiência, na maioria das vezes, é bem assimilada pelas pessoas. Mas há quem demande acompanhamento psicoterapêutico após a constelação. A resposta à abordagem depende muito dos recursos internos e do grau de autoconhecimento de cada um. O interessante é que quem participa representando ou apenas assistindo também se beneficia. “A motivação primordial é, em última análise, a mesma: a busca de elos perdidos ou rompidos que precisam ser reatados”, observa o psicólogo e terapeuta Reno Bonzon, francês radicado em Salvador, que recomenda a escolha de facilitadores sérios e confiáveis, de preferência indicados por pessoas que vivenciaram o processo e saíram satisfeitas. 

Na observação de Hellinger, os insights e as transformações decorrentes da constelação se prolongam por até três anos. Por isso não é indicado trabalhar a mesma questão num curto intervalo de tempo. Também é possível aplicar a ferramenta no atendimento individual. Nesse caso, utilizam-se bonecos ou outros elementos de ancoragem.

Por sua eficácia, a constelação, que surgiu tendo a família como foco, acabou sendo transposta para outros grupos humanos, ganhando o nome de constelações sistêmicas. Hoje esse saber beneficia empresas, escolas e até a Justiça. Para se ter uma ideia, uma multinacional recorreu ao método para sondar quais chefias estavam alinhadas aos novos valores instituídos e quais ainda apresentavam certa resistência. 

Os princípios cunhados por Hellinger também norteiam a relação entre escola e pais. “Muitas questões relacionadas à aprendizagem e à desarmonia no ambiente escolar estão ligadas a desordens das leis do amor na rotina da escola”, afirma Hellen Vieira da Fonseca, consultora educacional especializada em pedagogia sistêmica, de Taguatinga (DF). 

Na Justiça, o maior exemplo vem do juiz Sami Storch, atuante em Amargosa, a 235 km de Salvador. Segundo ele, que aplica a metodologia desde 2010, pais em litígio acabam encontrando saídas pacíficas após dinâmicas que levam ao reconhecimento da importância de cada membro da família. Frases reparadoras como: “Você me fez ser mãe/pai, e por isso sempre será importante na minha vida”; “Foi difícil para mim, mas reconheço que você também teve dificuldades ao longo do nosso relacionamento” abrem os canais da conciliação. E o caudaloso rio da vida volta a correr.
 
 
Publicado em Dezembro 2015 na Revista Bons Fluidos -  Texto: Raphaela de Campos Mello - http://bonsfluidos.uol.com.br/noticias/capa/no-fluxo-do-coracao.phtml

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